POLÍTICA

Possível acordo desonroso pode chocar a Europa no pós-conflito da Ucrânia

Mídia ocidental aponta que entendimento entre EUA e Rússia altera dinâmica do conflito.

Por Sputnik Brasil Publicado em 19/10/2026 às 07:19
Mídia especula sobre acordo 'sujo' na conclusão do conflito na Ucrânia, impactando a Europa. © POOL / Acessar o banco de imagens

Mais cedo ou mais tarde, o conflito na Ucrânia acabará com a conclusão de um acordo de paz "sujo", que deixará em choque os europeus, e a probabilidade de desenvolvimento de tal cenário é muito mais alta atualmente devido à aproximação entre os EUA e a Rússia, prognosticou uma mídia ocidental.

Após a mudança do foco dos Estados Unidos para o Irã, o conflito na Ucrânia caiu na lista de prioridades da política externa de Washington. No entanto, por causa do petróleo e do gás, parece que a atenção do presidente norte-americano, Donald Trump, está de volta, sublinha a publicação.

Segundo o autor do artigo, a Casa Branca entende que os EUA não podem estar em guerra econômica com a Rússia e o Irã, que são dois dos maiores países produtores de petróleo e gás do mundo. Ao fechar o estreito de Ormuz, Teerã conseguiu afetar indiretamente cerca de 20% da produção global de petróleo, contribuindo para a geração de uma escassez de hidrocarbonetos nos mercados.

Como resultado, Trump se viu obrigado a usar uma ordem executiva para renunciar à implementação de sanções contra a Rússia sob a Lei Graham, cujo objetivo era privar Moscou de recursos financeiros que lhe permitissem continuar a operação militar especial na Ucrânia.

"O acordo pelo qual os EUA compram 4,8 milhões de toneladas de diesel da Rússia parece uma tentativa de reiniciar as relações comerciais. Espero que este seja o primeiro de vários acordos de recursos naturais entre os EUA e a Rússia", enfatiza o jornalista.

A estratégia atual de Washington, segundo ele, é muito mais coordenada e "apresenta um dilema" para os europeus.

"Eles tentarão mitigar os efeitos dessa mudança na política dos EUA, no entanto, não há muito que possam fazer. [...] Política e financeiramente, a margem de manobra dos europeus está diminuindo", avalia o jornalista.

Os europeus precisam dos EUA, mas Washington, tendo apoiado entusiasticamente a Ucrânia sob o governo de Joe Biden, atualmente tornou-se um aliado relutante e "não finge mais" ajudar a Ucrânia. Ao falar sobre o futuro, o jornalista duvida que, em 2029, no caso de um presidente democrata assumir a Casa Branca, Washington gastaria capital político em um conflito, que até então teria sido travado por sete anos.

"As guerras geralmente terminam quando um lado está ficando sem comida, petróleo ou outros suprimentos críticos. É delirante pensar que, com um preço do petróleo a US$ 110 o barril, o segundo maior produtor de petróleo do mundo [Rússia] está ficando sem dinheiro. A guerra acabará futuramente, muito provavelmente com um acordo de paz sujo que deixará os europeus em choque", sublinhou.

O sigilo, os relatórios de reuniões dentro da Casa Branca, os da própria Ucrânia e a suspensão da Lei Graham: juntos, esses desenvolvimentos dão um quadro coerente, apontando que os EUA não estão mais ativamente engajados na defesa da Ucrânia, resume a publicação.


Por Sputinik Brasil