ASTRONOMIA

Astrônomos revelam atmosfera peculiar de exoplaneta com densidade semelhante à de marshmallow

Dados do JWST mostram características únicas do exoplaneta WASP-17b, a 1.300 anos-luz da Terra.

Por Sputnik Brasil Publicado em 17/10/2026 às 12:43
Observação do WASP-17b com o JWST revela sua atmosfera com estrutura em anel e características singulares. © Foto / Public domain/NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)

Astrônomos usaram o JWST para revelar detalhes inéditos da atmosfera de um exoplaneta gigante gasoso com densidade comparada à de um marshmallow. O estudo identificou uma estrutura atmosférica em forma de anel e confirmou previsões sobre a dinâmica de mundos extremos.

Astrônomos utilizaram dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) para desvendar características inéditas da atmosfera do exoplaneta WASP-17b, um gigante gasoso localizado a cerca de 1.300 anos-luz da Terra. O planeta chama atenção por sua baixa densidade e, mesmo com cerca de 80% da massa de Júpiter, possui aproximadamente o dobro de seu diâmetro, o que lhe confere uma aparência descrita pelos cientistas como semelhante à de um marshmallow.

Classificado como um "Júpiter quente", o WASP-17b orbita sua estrela em menos de quatro dias terrestres e está tão próximo dela que faz com que sua atmosfera apresente características incomuns e altamente dinâmicas.

O WASP-17b transita diante de sua estrela, revelando a configuração de sua atmosfera absorvente por meio de observações do JWST.
O WASP-17b transita diante de sua estrela, revelando sua atmosfera absorvente com observações do JWST.

Com o auxílio de uma nova técnica de observação, os pesquisadores conseguiram mapear a atmosfera do planeta em três dimensões. O estudo revelou uma estrutura em forma de anel, marcada por regiões distintas que os cientistas compararam a "pedras preciosas" distribuídas ao longo de sua borda atmosférica.

O planeta também apresenta travamento por maré, fenômeno que mantém um lado permanentemente voltado para a estrela e outro mergulhado na escuridão, o que faz com que haja grandes diferenças de temperatura e de composição química entre os lados diurno e noturno.

Para obter esse nível de detalhe, a equipe aplicou o método conhecido como "sequências de transmissão", que analisa a luz filtrada pela borda da atmosfera durante a passagem do planeta diante de sua estrela. A técnica permite observar diferentes regiões do chamado "limbo" atmosférico, superando os modelos tradicionais que trabalham apenas com médias globais.

Para além disso, as simulações identificaram uma das chamadas "joias" atmosféricas do WASP-17b: a expansão da atmosfera no lado noturno, provocada pela chegada de ventos quentes oriundos de outras regiões do planeta. Os resultados confirmaram previsões teóricas sobre as diferenças entre as áreas associadas ao amanhecer e ao anoitecer do mundo extraterrestre.

Segundo os pesquisadores, o sucesso da técnica, além de validar modelos atmosféricos tridimensionais, representa um avanço importante para o estudo dos mais de 6 mil exoplanetas catalogados pela NASA.


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