Flávio Bolsonaro reafirma apoio ao fim da escala 6x1 em sabatina
Candidato à Presidência defende PEC das horas trabalhadas e propostas para a economia.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi sabatinado nesta sexta-feira (16) em entrevista ao vivo conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, no Rio de Janeiro (RJ).
Durante a sabatina, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, não tentará reverter o fim da escala 6x1, cuja promulgação ocorreu recentemente. O candidato, que antes havia classificado a proposta como eleitoreira e oportunista, declarou ter reconsiderado sua posição após ouvir trabalhadores que apoiam a medida.
"Direitos trabalhistas serão garantidos", ressaltou Flávio, que também descartou a possibilidade de eliminar os pisos constitucionais de gastos em saúde e educação. Ele prometeu manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação, sem desvincular as aposentadorias desse índice.
Ajuste Fiscal
No campo econômico, o candidato trouxe uma proposta de ajuste fiscal de R$ 200 bilhões, sem reduzir os gastos em saúde e educação ou o reajuste do salário mínimo, mas não apresentou detalhes sobre como isso seria alcançado. Entre as medidas sugeridas, citou a redução de dez ministérios e a venda de 30 mil imóveis da União. Ele também mencionou a exploração de petróleo na Margem Equatorial como uma fonte de receita, embora a viabilidade dessa ação tenha sido questionada durante a entrevista, uma vez que sua exploração está prevista para 2033.
Ligações com Master
Quando questionado sobre o financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado "Dark Horse", Flávio classificou o negócio como privado, envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que lhe pediu R$ 134 milhões. Segundo ele, não houve contrapartida relacionada ao seu mandato de senador e a produtora prestou todas as contas dos recursos utilizados, reiterando que era dinheiro proveniente de investimento "privado". Vale destacar que o Banco Master recebeu financiamento de governos estaduais, utilizando fundos de previdência.
Ao ser pressionado sobre o destino dos recursos e a discrepância entre o valor solicitado e o custo do filme, tentou mudar o foco para as relações de Vorcaro com membros do governo Lula e negócios que envolveriam a própria Globo.
Área institucional
Em questões institucionais, o candidato criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, e defendeu mudanças na operação do Judiciário. Além disso, Flávio negou que Jair Bolsonaro tenha participado de uma tentativa de golpe de Estado, considerando a condenação de seu pai uma farsa. Apesar de contestar a caracterização dos atos de 8 de janeiro de 2023 como uma tentativa de golpe, ele afirmou que atos de depredação e agressões a policiais devem ser punidos conforme a lei.
O senador também descartou a nomeação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, como ministro das Relações Exteriores, afirmando que ele é perseguido politicamente. "Algum dia, a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia no nosso país [...] Eduardo faz sim um trabalho brilhante. A questão de ele ser chanceler é outro assunto", disse.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de dar um cargo ao pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio não descartou a possibilidade.
Segurança pública
Voltado para a segurança pública, o candidato prometeu aumentar a atuação das Forças Armadas nas fronteiras, classificar o Comando Vermelho, o PCC e as milícias como organizações narcoterroristas e incluir o Brasil na iniciativa estadunidense "Escudo das Américas", que abrange intercâmbio de informações e inteligência.
Flávio defendeu ainda a mudança na legislação penal e o cumprimento total das penas impostas a membros de facções criminosas. Quanto ao acesso a armas, argumentou que os cidadãos que atendem aos requisitos legais devem ser autorizados a adquirir armamentos para proteção pessoal e patrimonial. Questionado sobre a ideia de retirar a marcação de munições, não explicou como essa medida ajudaria no combate ao crime organizado, também criticou o Estatuto do Desarmamento, dizendo que a legislação precisa ser ajustada.
Abordando investigações envolvendo aliados políticos no Rio de Janeiro, entre eles Márcio Canella, Rodrigo Bacellar e o ex-governador Cláudio Castro, Flávio defendeu a presunção de inocência, mas afirmou que aqueles envolvidos em crimes devem responder na Justiça. Ele ainda comentou que deseja endurecer as penas e manter os condenados por mais tempo na prisão.
Mais cedo, Flávio e o coordenador de campanha, Rogério Marinho, almoçaram na sede da emissora com o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet.
Em nota oficial, a emissora minimizou as críticas, descrevendo o evento como uma "visita institucional" de cortesia e destacando que o encontro não contou com nenhuma liderança do departamento de Jornalismo.
Ontem (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi sabatinado pela Rede Globo no mesmo formato que o senador, mas não se noticiou nenhum encontro do mandatário com a alta cúpula da emissora.
A série de sabatinas conclui as entrevistas individuais do segundo turno. Os dois candidatos voltarão a se enfrentar diretamente no debate da Band/Jovem Pan neste domingo (18), às 20h, e no debate da TV Globo no dia 23 de outubro. A votação final ocorrerá em 25 de outubro.
Disputa acirrada
A disputa entre o senador e o candidato petista está tecnicamente empatada, conforme levantamento do instituto Datafolha divulgado na quinta-feira (15). Nos votos válidos, Flávio tem 51%, enquanto Lula registra 49%, diferença que está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Na pesquisa anterior, Flávio estava com 52% dos votos válidos e Lula com 48%.
Considerando todas as intenções de voto, incluindo brancos, nulos e indecisos, o candidato do PL apresenta 47%, enquanto o petista tem 45%. Na rodada anterior, Flávio tinha 49% e Lula 45%. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos válidos, em comparação aos 45,16% de Lula.