POLÍTICA

Cuba critica evento dos EUA na ONU por suposta violação de princípios

Chancelaria cubana denuncia campanha política organizada pela missão norte-americana contra Havana.

Por Sputnik Brasil Publicado em 16/10/2026 às 15:10
Cuba denuncia evento dos EUA na ONU como campanha política contra o governo cubano. © AP Photo / Yuki Iwamura

Cuba acusou os Estados Unidos de usar a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) para promover uma campanha política contra o governo cubano. A denúncia foi feita nesta sexta-feira (16), pelo embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, após o anúncio de um evento organizado pela missão norte-americana para discutir a situação na ilha.

Intitulado "Cuba Libre: a opressão que Havana esconde", o encontro está previsto para 19 de outubro, na sede da ONU, e é descrito como uma oportunidade para apresentar perspectivas sobre as "duras realidades" de certas práticas e políticas supostamente adotadas pelo governo cubano.

"Denunciamos este evento nos termos mais enérgicos possíveis. Trata-se de uma iniciativa motivada politicamente, organizada de maneira questionável, cujo objetivo claro é atacar Cuba e promover uma narrativa hostil contra nosso país […]. As Nações Unidas não são uma plataforma para perseguição política, interferência nos assuntos internos de um Estado ou campanhas destinadas a minar sua soberania. Essa iniciativa viola as regras que regem o uso das instalações da ONU", afirmou Soberón.

O evento ocorre antes da apresentação cubana do 34º projeto de resolução consecutivo à Assembleia Geral das Nações Unidas, nos dias 27 e 28 de outubro de 2026, que exige o fim do embargo econômico dos Estados Unidos.

Desde 1992, a Assembleia Geral da ONU adota anualmente uma resolução que exige o fim das restrições unilaterais de Washington contra Cuba. O documento conta com o apoio da maioria dos Estados-membros da organização. No ano passado, a resolução recebeu o apoio de 165 países, foi rejeitada por sete, enquanto 12 se abstiveram, registrando o maior número de abstenções e votos contrários em mais de três décadas.

Nos últimos dias, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, também acusaram Washington de tentar influenciar a votação por meio de pressões sobre governos e chefes de Estado.