Kazuo Ueda destaca ambiente monetário e possíveis ajustes nas taxas de juros
Presidente do Banco do Japão menciona fatores que influenciam a inflação e a estabilidade econômica.
O presidente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Kazuo Ueda, afirmou nesta sexta-feira, 16, que a instituição seguirá elevando a taxa de juros conforme a evolução do quadro econômico, de preços e das condições financeiras, ressaltando que, apesar do último aumento, o ambiente monetário continua "acomodativo". O discurso foi lido pelo vice-presidente do BoJ, Shinichi Uchida, durante a Convenção Nacional de Cooperativas de Crédito.
Ueda disse que os impactos do aumento de custos começam a aparecer nos preços ao consumidor. Segundo ele, além da alta do petróleo e do iene mais fraco, a expansão da demanda ligada à inteligência artificial (IA) tem mantido elevados os preços ao produtor, com pressão que começa a se disseminar para a etapa do varejo e com repasses associados ao avanço dos salários.
O dirigente observou que as expectativas de inflação de médio e longo prazos seguem em elevação e que a inflação subjacente se aproxima de 2%.
Ao mesmo tempo, Ueda alertou para o risco de o núcleo da inflação - que exclui itens voláteis como alimentos e energia - ultrapassar a meta de 2% e afirmou ser importante estabilizá-la em torno desse nível para evitar efeitos adversos adiante.
O presidente lembrou que o BoJ decidiu no mês passado elevar o juro básico para cerca de 1,25% como ajuste do grau de afrouxamento monetário e avaliou que, com juros reais ainda baixos e crédito disponível, a economia deve seguir amparada.
No discurso, Ueda também abordou desafios das cooperativas de crédito, defendendo o reforço do apoio a pequenas e médias empresas em termos de melhoria de gestão e digitalização, maior foco em estratégia de depósitos e atenção ao aumento do risco cibernético.