POLÍTICA

Camilo Santana propõe emenda para reduzir maioridade penal em crimes graves

Medida apresentada no Senado sugere redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/10/2026 às 17:13
Camilo Santana

O líder do PT no Senado Federal, Camilo Santana (CE), apresentou uma emenda à PEC da Segurança Pública que propõe a redução da maioridade penal.

A emenda tem 28 assinaturas, incluindo a do petista, e passou a constar no sistema do Senado nesta quinta-feira, 15, quando a proposta deve ser submetida à votação.

O texto reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos. "Não é coerente presumir, de forma absoluta, que quem pode escolher os governantes do País, seja incapaz de compreender a ilicitude de um homicídio qualificado, de um latrocínio ou de um estupro", justifica Camilo.

O petista sustenta ainda que "aplicado indistintamente, o limite de 18 anos tem sido explorado por organizações criminosas". "Elas recrutam adolescentes para as tarefas de maior risco porque, mesmo nos crimes mais graves, a resposta estatal se limita ao teto de três anos de internação previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente", diz.

"A redução da maioridade penal para 16 anos, portanto, alinha o Brasil à legislação de diversas democracias modernas e atende ao sentimento de justiça da população, reafirmando que a prática de atos criminosos graves gerará consequências proporcionais, independentemente de privilégios etários defasados", justifica a proposta.

A emenda conta com 28 signatários, que incluem governistas como Jaques Wagner (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Fabiano Contarato (PT-ES), Renan Filho (MDB-AL), Jader Barbalho (MDB-PA) e Carlos Fávaro (PSD-MT).

Mais cedo, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), havia dito que a ideia era aprovar a PEC sem emendas. "O acordo para que a PEC fosse aprovada, e será, sem emendas, precede a apresentação da emenda do senador Camilo Santana", afirmou a senadora a jornalistas, mais cedo.

No entanto, há uma avaliação de interlocutores do PT de que, dada a articulação da oposição liderada por Flávio Bolsonaro (PL) para incluir na PEC uma redução da maioridade penal ainda mais severa, a emenda de Camilo pode amenizar os efeitos do que pode ser aprovado no plenário.

Historicamente, a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do PT é crítica à redução da maioridade penal. Conforme mostrou o Broadcast Político (Sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), porém, a discussão rachou a bancada governista, diante da iniciativa de Flávio e da oposição de minar os efeitos políticos do fim da escala 6x1 e estabelecer um debate numa área sensível para a esquerda, que é a segurança pública.