SAÚDE

Casa do Autista em Maceió promove terapia alimentar para crianças com TEA

Novo método busca ampliar aceitação de alimentos levando em consideração as particularidades de cada criança

Por Prefeitura de Maceió Publicado em 15/10/2026 às 15:34
Casa do Autista em Maceió oferece terapia alimentar para crianças com TEA.

A seletividade alimentar é um dos desafios enfrentados por muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias. Na Casa do Autista de Maceió, o acompanhamento nutricional amplia a variedade de alimentos aceitos pelas crianças, por meio da terapia alimentar, com estratégias individualizadas que respeitam as necessidades e o tempo de cada usuário.

A recusa de determinados alimentos pode estar relacionada à textura, ao cheiro, ao sabor, à temperatura ou à aparência da comida. Em alguns casos, pequenas mudanças no preparo ou na apresentação são suficientes para provocar desconforto. Diante dessas particularidades, o trabalho da Nutrição não se limita a orientar sobre o que deve ser consumido, mas procura tornar o contato com os alimentos uma experiência mais tranquila e positiva.

De acordo com a nutricionista da Casa do Autista, Fernanda Luna, o atendimento é conduzido de forma gradual, sem obrigar a criança a experimentar alimentos. “A maior procura é por conta da seletividade alimentar, que é comum nas crianças com TEA. Trabalhamos a terapia alimentar com eles, que é apresentar e trabalhar o alimento em si de forma gradual, para que eles explorem texturas, cheiros e sabores e se sintam mais à vontade com o alimento, sem forçá-los a nada. A importância é justamente ajudar a criança a ampliar o repertório alimentar respeitando o tempo dela”, explica.

Durante o acompanhamento, a criança pode começar apenas observando o alimento e, gradualmente, avançar para o contato pelo toque, pelo cheiro e, quando estiver confortável, pela experimentação. O processo visa reduzir a resistência e favorecer a aceitação de novas possibilidades alimentares, considerando as particularidades de cada paciente.

A ampliação do repertório alimentar contribui para uma dieta mais diversificada e nutricionalmente adequada, como conta Fernanda Luna. "Os benefícios refletem na rotina familiar, na participação em refeições compartilhadas e em outras situações sociais que envolvem a alimentação. Nesse processo, os familiares também recebem apoio para compreender as dificuldades da criança e lidar com a seletividade de maneira mais acolhedora", acrescenta a nutricionista.

Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, a oferta de um atendimento individualizado é fundamental para atender às necessidades de crianças com TEA. “O cuidado em saúde precisa considerar as particularidades de cada criança e oferecer acompanhamento de acordo com suas necessidades. Nosso compromisso é fortalecer uma assistência humanizada, que contribua para o desenvolvimento, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes, incluindo o acolhimento e a orientação às famílias”, diz.

A gerente-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, destaca a importância da atuação integrada dos profissionais para garantir um cuidado que contemple diferentes aspectos do desenvolvimento infantil. “O acompanhamento de crianças com TEA exige atenção individualizada e um olhar que considere suas diferentes necessidades. Na Casa do Autista, trabalhamos para oferecer um atendimento acolhedor, que respeite as particularidades de cada paciente e fortaleça a participação das famílias nesse processo”, ressalta.

A Casa do Autista de Maceió conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos. A atuação conjunta amplia as possibilidades de acompanhamento de crianças e adolescentes com TEA, considerando as necessidades individuais e a importância do suporte familiar.

Veja como ter acesso

Para ter acesso aos serviços, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.

A partir daí, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria realiza a análise e regulação dos casos, priorizando aqueles que ainda não estão inseridos na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que se encontram em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Após essa avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a própria Casa do Autista. Caso a demanda ultrapasse a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, respeitando critérios técnicos e de prioridade.

A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança e qualidade na assistência prestada à população de Maceió, sendo responsável por implantar processos que integram inovação, cuidado e gestão eficiente.