Casa do Autista em Maceió promove terapia alimentar para crianças com TEA
Novo método busca ampliar aceitação de alimentos levando em consideração as particularidades de cada criança
A seletividade alimentar é um dos desafios enfrentados por muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias. Na Casa do Autista de Maceió, o acompanhamento nutricional amplia a variedade de alimentos aceitos pelas crianças, por meio da terapia alimentar, com estratégias individualizadas que respeitam as necessidades e o tempo de cada usuário.
A recusa de determinados alimentos pode estar relacionada à textura, ao cheiro, ao sabor, à temperatura ou à aparência da comida. Em alguns casos, pequenas mudanças no preparo ou na apresentação são suficientes para provocar desconforto. Diante dessas particularidades, o trabalho da Nutrição não se limita a orientar sobre o que deve ser consumido, mas procura tornar o contato com os alimentos uma experiência mais tranquila e positiva.
De acordo com a nutricionista da Casa do Autista, Fernanda Luna, o atendimento é conduzido de forma gradual, sem obrigar a criança a experimentar alimentos. “A maior procura é por conta da seletividade alimentar, que é comum nas crianças com TEA. Trabalhamos a terapia alimentar com eles, que é apresentar e trabalhar o alimento em si de forma gradual, para que eles explorem texturas, cheiros e sabores e se sintam mais à vontade com o alimento, sem forçá-los a nada. A importância é justamente ajudar a criança a ampliar o repertório alimentar respeitando o tempo dela”, explica.
Durante o acompanhamento, a criança pode começar apenas observando o alimento e, gradualmente, avançar para o contato pelo toque, pelo cheiro e, quando estiver confortável, pela experimentação. O processo visa reduzir a resistência e favorecer a aceitação de novas possibilidades alimentares, considerando as particularidades de cada paciente.
A ampliação do repertório alimentar contribui para uma dieta mais diversificada e nutricionalmente adequada, como conta Fernanda Luna. "Os benefícios refletem na rotina familiar, na participação em refeições compartilhadas e em outras situações sociais que envolvem a alimentação. Nesse processo, os familiares também recebem apoio para compreender as dificuldades da criança e lidar com a seletividade de maneira mais acolhedora", acrescenta a nutricionista.
Para Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, a oferta de um atendimento individualizado é fundamental para atender às necessidades de crianças com TEA. “O cuidado em saúde precisa considerar as particularidades de cada criança e oferecer acompanhamento de acordo com suas necessidades. Nosso compromisso é fortalecer uma assistência humanizada, que contribua para o desenvolvimento, a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes, incluindo o acolhimento e a orientação às famílias”, diz.
A gerente-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, destaca a importância da atuação integrada dos profissionais para garantir um cuidado que contemple diferentes aspectos do desenvolvimento infantil. “O acompanhamento de crianças com TEA exige atenção individualizada e um olhar que considere suas diferentes necessidades. Na Casa do Autista, trabalhamos para oferecer um atendimento acolhedor, que respeite as particularidades de cada paciente e fortaleça a participação das famílias nesse processo”, ressalta.
A Casa do Autista de Maceió conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos. A atuação conjunta amplia as possibilidades de acompanhamento de crianças e adolescentes com TEA, considerando as necessidades individuais e a importância do suporte familiar.
Veja como ter acesso
Para ter acesso aos serviços, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou adolescente, além dos documentos do responsável legal.
A partir daí, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria realiza a análise e regulação dos casos, priorizando aqueles que ainda não estão inseridos na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que se encontram em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Após essa avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a própria Casa do Autista. Caso a demanda ultrapasse a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, respeitando critérios técnicos e de prioridade.
A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança e qualidade na assistência prestada à população de Maceió, sendo responsável por implantar processos que integram inovação, cuidado e gestão eficiente.