CONFLITO

Explosões em área próxima ao palácio presidencial no Iêmen deixam mortos

Ataques na cidade portuária de Áden são atribuídos aos rebeldes houthis, com escalada dos confrontos na região.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/10/2026 às 15:11
Explosões em área próxima ao palácio presidencial no Iêmen deixam mortos Nano Banana (Google Imagen)

Pelo menos seis explosões atingiram nesta quinta-feira, 15, as proximidades do palácio usado pelo governo iemenita reconhecido internacionalmente, na cidade portuária de Áden, disseram testemunhas. Um oficial afirmou que pelo menos duas pessoas morreram, e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã e baseados no norte do Iêmen, reivindicaram a autoria dos ataques.

Foi um ataque raro na área do palácio, em meio à escalada dos confrontos entre os rebeldes e a coalizão liderada pela Arábia Saudita, na mais recente frente da guerra com o Irã. As explosões causaram pânico entre os moradores, que fugiram da área.

Outras seis pessoas ficaram feridas, disse o oficial, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar com a imprensa. O governo afirmou que os houthis atacaram com mísseis e drones, informou a agência de notícias SABA, sediada em Aden.

Um oficial de segurança afirmou que pelo menos duas explosões ocorreram no topo da colina perto do palácio Maashiq, e outras duas perto do portão de segurança.

Muitos líderes do governo iemenita vivem no exílio, e aqueles que estão em Aden estão em segurança, disse um funcionário do governo. Ambos os funcionários falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a falar com a imprensa.

Os houthis afirmaram ter atacado um quartel-general de operações militares do "inimigo saudita", parte de sua estratégia de atacar alvos sauditas, que inclui uma série de ataques a aeroportos e infraestrutura petrolífera dentro do reino.

A escalada complicou os esforços para pôr fim à guerra com o Irã e abalou ainda mais os mercados globais, enquanto a Arábia Saudita, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, enfrenta repetidos ataques. A aviação regional também foi afetada, já que os rebeldes alertaram as companhias aéreas sobre o uso do espaço aéreo saudita para ataques. Milhares de voos em todo o reino foram interrompidos.

Houthis voltam a atacar áreas da Arábia Saudita

Na manhã desta quinta-feira, a coalizão liderada pela Arábia Saudita que combate os houthis afirmou ter interceptado um míssil de cruzeiro sobre a província de Medina. A Flightradar 24, uma plataforma de rastreamento, informou que dezenas de voos foram cancelados ou atrasados no aeroporto de Jeddah.

A declaração da coalizão não atribuiu culpa pelo ataque. O porta-voz militar dos houthis, brigadeiro-general Yahya Saree, negou que os rebeldes o tivessem realizado. O grupo havia prometido anteriormente não atacar aeroportos nas cidades sagradas de Meca e Medina, na Arábia Saudita.

A Arábia Saudita também afirmou ter destruído um drone sobre a província Oriental do país, uma importante região produtora de petróleo, e interceptado um drone em Khamis Mushait, perto de uma importante base aérea militar.

Rebeldes sitiam a terceira maior cidade do Iêmen

Dentro do Iêmen, os combates reacenderam uma guerra civil devastadora após quatro anos de relativa calma. Um dos focos de alarme é a cidade de Taiz, sitiada pelos houthis.

Os moradores da terceira maior cidade do Iêmen estão enfrentando escassez de itens básicos. Onde é possível encontrar produtos, os preços dispararam. Os postos de gasolina estão vazios ou fora de serviço. O Programa Mundial de Alimentos afirmou que não consegue mais atender mais de 600 mil pessoas em Taiz que dependem de ajuda humanitária.

Fathiyya Mohamed al-Mugahed disse que saiu em busca de farinha, gás de cozinha e combustível, mas não encontrou nada.

"Os houthis nos cercaram por todos os lados", disse ela. "Tudo o que recebemos deles foram projéteis."

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que Taiz registrou alguns dos "maiores números de vítimas" do país.

*Com informações da Associated Press (AP).