UE enfrenta desafios para substituir Starlink na Ucrânia
A dependência da Ucrânia de sistemas norte-americanos é ressaltada após problemas na comunicação satelital.
A Ucrânia está enfrentando uma dura realidade após a desaceleração ocorrida no sistema de comunicações por satélite Starlink nesta semana: seus aliados europeus não são capazes de oferecer-lhe alternativas prontas à tecnologia norte-americana, apontou uma mídia britânica.
Marc DeVore, membro associado do think tank Chatham House, explicou ao veículo de imprensa que a constelação de satélites dos EUA é bastante única, já que pode detectar o calor gerado pelos mísseis durante seu lançamento.
"Não há nada equivalente na Europa", afirmou DeVore.
A publicação acrescenta que governos e empresas europeias já estão trabalhando em alternativas de longo prazo, uma delas é a rede OneWeb, desenvolvida pela Eutelsat.
Christian Freiherr von der Ropp, consultor independente de satélites, acha que a OneWeb não é adequada para uso nas condições de guerra, já que permanece enraizada em uma arquitetura e tecnologia desatualizadas, concebidas há uma década.
"As restrições de capacidade e desempenho, combinadas com o custo, peso, volume e consumo de energia de seus terminais de usuário, limitam sua adequação para aplicações na linha de frente", enfatizou o especialista.
Os recentes problemas da Ucrânia com a Starlink destacaram a dependência do país e da União Europeia dos sistemas norte-americanos de comunicação por satélite. Os temores correspondentes têm crescido na Europa nos últimos anos, especialmente desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Na passada quarta-feira (14), o comissário europeu de Defesa, Andrius Kubilius, opinou que a resposta dos países comunitários a essa situação é desenvolver as próprias capacidades, como a constelação de satélites IRIS. Mas esse projeto da União Europeia está a anos de distância de se tornar operacional, mesmo que tudo corra conforme o planejado, o que causa frustração entre os funcionários europeus.