POLÍTICA

TSE autoriza retorno do canal 'Exército do Lula' após pressão do PT

Decisão do TSE visa equilibrar o tratamento entre os canais de campanha do PL e do PT.

Por Sputnik Brasil Publicado em 14/10/2026 às 23:03
TSE libera antecipação do canal 'Exército do Lula' após questionamentos de campanha. © Foto / Luiz Silveira / STF

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, autorizou nesta quarta-feira (14) o retorno antecipado do canal "Exército do Lula", no WhatsApp (plataforma da Meta, empresa proibida na Rússia por extremismo).

A decisão foi tomada após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionar a diferença de tratamento em relação à "Tropa do Flávio", ligada ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Enquanto o canal de Lula ultrapassou 4,3 milhões de seguidores, o de Flávio conta com 1,8 milhão.

Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal de Lula por 48 horas, mas recuou antes do fim do prazo. A coligação Brasil Pronto Pra Mais (PT/PC do B/PV, PDT, PSB, PSOL/ REDE) acionou o tribunal para pedir que a mesma medida fosse aplicada ao canal Tropa do Flávio, que teve seus dados informados à Justiça Eleitoral na terça-feira (13), depois de já estar em funcionamento.

Ao justificar a decisão, o presidente do TSE afirmou que as medidas buscavam proteger o ambiente informacional das eleições, diante dos riscos de desinformação e do uso indevido dos meios de comunicação. O ministro, porém, ressaltou que a atuação da Justiça Eleitoral deve respeitar os limites necessários à proteção do processo democrático.

"A atuação da Justiça Eleitoral nessa matéria deve, contudo, observar a liberdade de expressão, a proporcionalidade e a mínima intervenção no debate democrático, de modo que as providências adotadas não ultrapassem o necessário à proteção da legitimidade do pleito", declarou.

Técnicos não encontraram irregularidades no canal

O canal "Exército do Lula" foi alvo de uma contestação da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou que a ferramenta era usada para disseminar desinformação. Na sequência, Nunes Marques determinou a suspensão temporária e a regularização da mídia perante o TSE. A medida chegou a ser revertida pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, antes de o presidente da Corte voltar a suspender a ferramenta.

A campanha de Lula registrou o endereço eletrônico do canal no tribunal na última terça (13), o que formalizou o conteúdo à candidatura. A análise técnica do tribunal não encontrou indícios de disseminação de notícias falsas no canal entre 2 e 11 de outubro e, mesmo assim, Nunes determinou a suspensão.

Segundo a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, a checagem de textos, links, vídeos e áudios não identificou publicações que atribuíssem a Flávio propostas de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, reduzir benefícios sociais ou vínculos com milícias.


Por Sputinik Brasil