ECONOMIA

Câmara aprova aumento do teto do MEI e anista dívidas de empreendedores

Projeto Prospera MEI prevê elevação do limite para R$ 140 mil até 2028, além de perdão total de dívidas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 14/10/2026 às 21:21
Câmara dos Deputados aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas para microempreendedores. © Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O limite de faturamento anual para enquadramento como microempreendedor individual (MEI) passará de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028, conforme proposta aprovada nesta quarta-feira (14) pela Câmara dos Deputados. O texto também prevê o perdão integral de dívidas de quase 3 milhões de microempreendedores.

A Câmara aprovou o projeto de lei Prospera MEI, enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início da semana e que reúne um pacote de medidas para apoiar o setor no Brasil. Ao todo, a proposta recebeu 461 votos favoráveis e 4 contrários e seguirá para análise do Senado.

Além das mudanças no teto do faturamento, o projeto permite a contratação de até dois funcionários, em vez de um, porém os trabalhadores deverão receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional.

O texto reúne medidas de dois projetos de lei complementar (PLPs 186/26 e 267/26), ambos de autoria do Poder Executivo, em substitutivo apresentado pelo relator, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

Desde 2016, o faturamento máximo anual para se enquadrar na categoria jurídica era de R$ 81 mil. Com a mudança, a partir de 2027 o limite mensal será de R$ 9.166,67 em 2027 e de R$ 11.666,67 em 2028.

"Hoje o MEI às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa", afirmou o relator ao defender a atualização do limite.

Remissão de dívidas terá condições

O projeto prevê o perdão integral dos débitos de microempreendedores individuais inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026. Para manter o benefício, o empreendedor deverá pagar em dia as contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da futura lei. O descumprimento dessa condição poderá cancelar a remissão.

A medida também exige a desistência de ações judiciais em andamento na data em que a lei complementar entrar em vigor. Segundo o texto aprovado, o MEI não terá de arcar com honorários advocatícios decorrentes da extinção desses processos.

"Queremos aliviar o microempreendedor para que possa retomar suas atividades amplamente no mercado. Aquecer a economia, gerar emprego, beneficiar a todos", declarou Rubens Pereira Júnior.

O Poder Executivo estima que a recuperação de crédito associada à medida terá impacto orçamentário de R$ 1,1 bilhão em 2027, R$ 1 bilhão em 2028 e R$ 909 milhões em 2029.