ECONOMIA

Ibovespa registra leve queda em meio a ajustes e expectativa de inflação nos EUA

Índice encerra em 206.505,98 pontos, refletindo a cautela dos investidores após alta nas eleições.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/10/2026 às 17:46
Depositphotos

Amparado pela alta das ações da Petrobras, em uma ponta, e contido pela baixa do setor bancário e da Vale, na outra, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,18%, aos 206.505,98 pontos, tocando uma máxima intradiária de 207.220,81 pontos (+0,16%) e uma mínima de 203.463,77 pontos (-1,65%). Depois da forte força compradora na Bolsa pelo resultado do primeiro turno das eleições, os investidores voltam à cautela enquanto também observam o aumento da inflação na economia americana.

Em dia de alta do petróleo, a Petrobras PN subiu 2,22%, enquanto a ON avançou 1,94%, ao passo que Vale (-0,66%) e grandes bancos - como Itaú (-1,41%), Bradesco PN (-1,14%) e BTG Pactual (-2,81%) - terminaram o dia no campo negativo. O giro financeiro das ações do índice ficou dentro da média, em R$ 31 bilhões.

Até o início da tarde desta quarta-feira, 14, a sessão foi marcada por uma pressão maior na renda variável local e nos EUA depois do índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) apontar inflação acima do esperado, reforçando a chance de juros mais altos por mais tempo lá fora. Em um susto inicial, o mercado passou a precificar chance maior de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro, mas o dado foi digerido ao longo da sessão e, no fim da tarde, as apostas voltaram a indicar cerca de 60% de probabilidade de manutenção neste mês.

Do lado doméstico, a confiança do mercado de que uma eventual vitória de Flávio represente maior austeridade fiscal ainda pauta os negócios - no mês, o Ibovespa sobe 10,8%. No entanto, para aumentar mais a exposição na renda variável, os investidores esperam por novos sinais de fortalecimento do candidato, traduzidos pelas pesquisas eleitorais, dizem analistas. Nesta quarta, a expectativa fica em torno da Quaest, a ser divulgada depois do fechamento.

No mercado local, as pesquisas eleitorais seguem ganhando peso na formação dos preços. Com a atividade perdendo força e poucas novidades no exterior capazes de sustentar uma alta mais consistente, o comportamento da bolsa deve continuar bastante sensível às próximas pesquisas e às mudanças na percepção sobre a disputa eleitoral, afirma o analista de investimentos do Andbank, Fernando Bresciani.

O mercado precificou o cenário de vitória de Flávio com bastante convicção, principalmente na semana passada, enquanto as pesquisas mostram um empate técnico, e essa assimetria acaba preocupando. As declarações são do chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass. Se as pesquisas confirmarem o aperto, a correção deve continuar, tanto em juros quanto em varejo. Já se a vantagem voltar a abrir, o rali tende a retomar.