Ex-oficial ucraniano é julgado na Alemanha por explosões em gasodutos Nord Stream
Acusado enfrenta importantes charges em um dos maiores casos de sabotagem na Europa desde 1945.
Um ex-oficial do Exército ucraniano começou a ser julgado nesta quarta-feira (14) na Alemanha por participação nas explosões que danificaram os gasodutos Nord Stream em 2022, um dos maiores casos de sabotagem da Europa no pós-guerra. O réu é acusado de explosão, danos ao patrimônio e cumplicidade em crimes de guerra.
Identificado no processo apenas como Sergei K., em razão das leis alemãs de privacidade, mas listado em processos de extradição na Itália como Sergei Kuznetsov, o acusado responde por acusações de explosão, dano ao patrimônio, interrupção de serviço público e cumplicidade em crimes de guerra por supostamente atacar infraestrutura civil.
As investigações inicialmente se concentraram em possíveis responsabilidades da Rússia, mas, ao longo dos anos, autoridades passaram a considerar cada vez mais indícios de envolvimento de agentes ligados à Ucrânia, algo repetidamente apontado pelo Kremlin, apesar das negativas de Kiev sobre qualquer participação no ataque.
De acordo com os promotores, o acusado participou da operação que teve como objetivo interromper permanentemente o fluxo de gás russo para a Europa e reduzir os recursos que Moscou poderia utilizar para financiar sua campanha militar na Ucrânia.
Segundo a mídia norte-americana, a acusação afirma que o grupo utilizou um iate alugado com documentos falsos para partir do porto alemão de Rostock. O réu teria ajudado a organizar e executar a detonação de pelo menos quatro cargas explosivas, pesando entre 14 e 27 quilos, instaladas a cerca de 70 a 80 metros de profundidade nas proximidades da ilha dinamarquesa de Bornholm.
As explosões destruíram parte do Nord Stream 1, principal rota de fornecimento de gás russo para a Alemanha até a suspensão do fluxo em 2022, e também danificaram o Nord Stream 2, que nunca entrou em operação após Berlim interromper sua certificação antes do início do conflito ucraniano.
Os projetos vinham sendo criticados por Washington e seus aliados por "ampliarem a dependência europeia do gás russo", o que posteriormente se demonstrou ser interesse comercial, já que, após a interrupção, os embarques caros norte-americanos aumentaram.
O suspeito foi preso na Itália em 2025 e extraditado para a Alemanha no mesmo ano. Um segundo investigado foi detido na Croácia e tenta evitar sua extradição.
Até o momento, 16 audiências estão programadas até dezembro, com sessões adicionais previstas para o início de 2027.
Moscou expôs a grave situação reiteradas vezes enquanto países ocidentais associados à Ucrânia tentavam acusar a Rússia da autoria do ataque, ignorando iniciativas do Kremlin para uma ampla investigação internacional conjunta. Enquanto o governo alemão tem evitado comentar o caso, os países ocidentais, que dão suporte ao esforço de guerra de Kiev e se recusam a pavimentar um caminho diplomático e duradouro para a paz na Europa, dificilmente vão admitir que estavam errados.