Brasil pode se tornar maior exportador de alimentos até o final do ano, afirma Alckmin
Vice-presidente destacou a abertura de 700 novos mercados para produtos agropecuários desde janeiro.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, declarou nesta terça-feira (13) que o Brasil está prestes a alcançar o posto de maior exportador mundial de alimentos até o fim do ano.
A declaração foi feita em coletiva de imprensa com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para anunciar a marca de 700 novos mercados abertos para produtos agropecuários brasileiros desde o início de 2023.
Ele lembrou que o Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial, com abundância de água, solo fértil e sol, mas 60 anos atrás importava alimentos.
Ao ressaltar que o comércio exterior é fundamental para a sobrevivência de qualquer país, ele comentou que o alcance da marca reflete o fortalecimento das relações comerciais internacionais, a credibilidade do sistema de defesa agropecuária brasileiro e a diversificação dos destinos das exportações:
"O Brasil tem 2% da economia do mundo, do PIB [Produto Interno Bruto] do mundo. Então, 98% da economia está fora do Brasil. Comércio exterior é fundamental para a gente poder crescer", declarou. "Algumas indústrias nem existiriam se não exportassem [...] Não existe indústria aeronáutica para vender só para dentro do país".
Alckmin admitiu que desafios ainda impedem o país de crescer aos níveis de países asiáticos, que conseguiram reduzir custos e burocracias:
"Temos que aprender com a Ásia, temos que ter a cultura de custos, diminuir burocracia, temos uma herança cartorial; Portugal se modernizou com a União Europeia, e nós ficamos com cartório".
Para minimizar o problema, ele citou que um portal único para exportação e importação foi criado pelo governo:
"Um portal só. Ninguém pode pedir mais documento fora desse portal. Isso vai reduzir o custo Brasil em R$ 40 bilhões por ano. Uma carga parada, um dia no porto, custa 0,8% do valor da carga. Ficar dez dias parada já perdeu 8% do seu valor".
Alckmin frisou que políticas implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram abrandar os impactos do período atual de guerras, conflitos mundiais e tarifaços sobre o Brasil.
"Tirou o imposto do combustível, colocou um subsídio nos derivados do petróleo que ainda importamos, estabeleceu o Brasil Soberano III para apoiar a área de fertilizantes, foram R$ 30 bilhões de crédito para as empresas e abertura de mercado aqui bem destacada, acordo Mercosul, Singapura, EFTA, União Europeia", elencou ele.
Prova do sucesso das medidas, segundo ele, é o recorde de exportação, de US$ 349 bilhões (R$ 1,75 trilhão). "E este ano aumentou mais de 10% sobre o ano passado, de janeiro até setembro. Agora com 700 mercados, então, vai crescer ainda mais", afirmou.
A entrada em vigor da Reforma tributária em 1º de janeiro vai incrementar esse processo, na avaliação do vice-presidente, com exoneração da cesta básica, alimentos mais baratos.
"Hoje, quem investe paga imposto. Se eu fizer uma padaria, uma pequena fábrica ou uma granja, estou pagando imposto. Vai desonerar totalmente o investimento na reforma tributária [...] Os estudos do IPEA [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] mostram que deve aumentar em 15 anos o PIB 12%, eficiência econômica, investimento, 14% a mais, e exportação, 17% a mais".
O ministro de Paula também conversou com a imprensa e informou que em 2026, o país bateu recorde na corrente de comércio com praticamente todos os destinos comerciais do Brasil, não apenas no setor agropecuário:
"Estou falando do comércio exterior como um todo. Em média, nós crescemos 10,5% para todo o comércio exterior, em um momento em que tudo parece desafiar, o Brasil acerta na sua diplomacia econômica, comercial e o setor produtivo, sobretudo, responde de maneira assertiva. Um governo que não perde o foco e um setor produtivo capaz de gerar renda, capaz de promover investimentos", declarou ele.
Ainda segundo ele, as exportações brasileiras tiveram alta de 10,4% em 2026 e o acordo Mercosul-União Europeia de maio até agora significou expansão de 30% das exportações brasileiras.