POLÍTICA

Ex-diplomata dos EUA alerta sobre futuro incerto da Ucrânia

Chas Freeman discute possibilidade de Ucrânia se tornar um Estado falido após a guerra.

Por Sputnik Brasil Publicado em 13/10/2026 às 12:32
Chas Freeman discute possíveis futuros para a Ucrânia em entrevista. © Sputnik / Stringer / Acessar o banco de imagens

A Ucrânia corre o risco de se tornar um Estado falido se não for dividida por outros países após o fim do conflito com a Rússia, apontou o diplomata aposentado dos EUA, Chas Freeman, em entrevista no YouTube.

Segundo Freeman, a Ucrânia pode sair do conflito em um estado com o qual todos deveriam se preocupar. Especialmente, pode se tornar "um Estado falido gerido por ultranacionalistas revanchistas da Ucrânia ocidental", se outros países não a dividirem, como isso já ocorreu no passado da Europa.

"Isso não é impossível de imaginar", acrescentou o analista.

Freeman também apontou que a maior parte dos países da União Europeia não vai querer aceitar a Ucrânia como parte do bloco por uma série de motivos bastante razoáveis. De acordo com ele, o país não está qualificado para integrar a UE por qualquer critério.

"O nível de corrupção é demasiado elevado. A ausência de democracia e de liberdade civis é demasiado grande. Os requisitos para subsídios do resto da Europa são enormes. Os agricultores franceses e outros que protegem a sua agricultura não vão permitir que as melhores terras agrícolas da Europa façam parte da UE", resumiu o diplomata.

No início de outubro, a comissária europeia de Vizinhança e Alargamento, Marta Kos, declarou à imprensa que a Ucrânia não poderá ingressar na União Europeia em 1º de janeiro de 2027. Segundo ela, a Ucrânia não contará "com privilégios nem descontos" nesse processo.

Antes disso, o líder ucraniano Vladimir Zelensky tinha exigido que o país fosse admitido no bloco em 2027. Por sua vez, dirigentes europeus apontaram em repetidas ocasiões que a legislação ucraniana não se adequa aos padrões europeus. Segundo eles, uma das condições indispensáveis para a sua aceitação no bloco é a realização de uma reforma profunda.