Ibovespa enfrenta quedas em meio a incertezas eleitorais e tensões internacionais
O índice perde 2.900 pontos, refletindo cautela em relação às eleições e conflitos geopolíticos.
Após abrir estável e registrar máxima de 209.071,98 pontos, o Ibovespa passou a cair e atingiu novas mínimas, acumulando uma perda de cerca de 2.900 pontos. Esse recuo é atribuído à cautela no mercado, tanto no âmbito doméstico quanto no exterior, após uma valorização de 8,82% na semana passada.
A queda é explicada por analistas pela apreensão no Brasil, onde a disputa pela Presidência da República se intensifica, e pela tensão geopolítica entre os EUA e o Irã, que permanece no radar dos investidores.
Adicionalmente, o avanço nas estimativas de inflação deste ano, conforme o boletim Focus, agrava o cenário cauteloso, mesmo com a diminuição nas expectativas relacionadas à taxa Selic. Assim, os juros futuros e a cotação do dólar em relação ao real apresentam alta.
Outro aspecto a ser monitorado é o cenário fiscal, com o governo federal agendando para hoje uma nova etapa do programa Desenrola MEI, voltado à renegociação de dívidas de Microempreendedores Individuais (MEIs). Além disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para amanhã a votação da PEC 221, que propõe a alteração do regime de trabalho 6x1.
Conforme Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, a votação pode afetar as pesquisas eleitorais. “O mercado ficará atento ao desfecho. É um processo que pode influenciar a corrida presidencial”, observou.
A pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje, aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45%, configurando um empate técnico. Outra pesquisa, da PoderData/Aya, revela que o senador do PL tem 51% dos votos válidos no segundo turno, enquanto o petista aparece com 49%. Os candidatos estão em empate técnico, considerando a margem de erro de 1,8 ponto porcentual.
Na pesquisa anterior, divulgada em 8 de outubro, Flávio registrou 53% e Lula 47%.
A Quaest divulgará novos dados amanhã, enquanto o Datafolha, Atlas e Instituto Indexa apresentarão suas pesquisas na quinta-feira.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, tem reunião agendada para as 15h30 com os coordenadores das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, em meio a disputas judiciais sobre conteúdos eleitorais. Também serão divulgados nesta semana dados sobre vendas no varejo e o IBC-Br de agosto.
Quanto ao boletim Focus, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu pela quarta semana consecutiva, saltando de 5,01% para 5,22%. A mediana para o IPCA de 2027 ficou em 4,30%, enquanto para 2028 os valores oscilaram de 3,80% para 3,79%. Para 2029, houve ligeira queda, de 3,51% para 3,50%.
A mediana para a taxa Selic no final de 2026 diminuiu de 13,50% para 13,25%, e a projeção para o final de 2027 permanece em 12,00%.
Na sexta-feira, o Ibovespa registrou alta de 1,38%, fechando em 209.066,90 pontos e encerrando a semana com valorização de 8,82%.
Às 11h37, o Índice Bovespa apresentava queda de 0,94%, cotado a 207.004,24 pontos.
No exterior, ajustes técnicos ocorreram após uma queda anterior de cerca de 2% no petróleo, que agora reduz o ritmo para menos de 1%. Mesmo assim, as ações da Petrobras avançam, enquanto as da Vale apresentam queda em resposta à desvalorização de 1,1% do minério de ferro, em Dalian, na China. As bolsas em Nova York também operam em queda moderada, em meio à divulgação de balanços, em uma semana marcada por dados de inflação nos EUA e na China.