POLÍTICA

EUA anunciam fuzilamento de militar condenado e recebem críticas da ONU

Nidal Hasan, responsável por ataque em 2009, será executado em dezembro com transmissão ao vivo.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/10/2026 às 15:50
EUA anunciam fuzilamento de militar condenado e recebem críticas da ONU Foto AP/Brynn Anderson, Arquivo.

O secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, conhecido por referências frequentes ao Império Romano em seus discursos, anunciou que tornará público o fuzilamento de um militar condenado.

O psiquiatra militar estadunidense Nidal Hasan, que atirou em dezenas de companheiros em 2009, em uma base no Texas, deixando 13 militares mortos e 32 feridos, será executado no dia 3 de dezembro.

De acordo Hegseth, as pessoas devem assistir à execução pública para entender as consequências de tais delitos. O último fuzilamento realizado pelo governo dos EUA foi em 1945. Cinco pessoas vão atirar em um alvo fixado na região do coração do condenado, que contará com sacos de areia cercando-o, com o objetivo de absorver o sangue, noticiou a mídia local, acrescentando que o evento contará com a presença, durante a execução, de uma das vítimas sobreviventes.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos se pronunciou sobre a transmissão planejada da execução, lembrando que tal espetáculo representaria uma forma de tratamento cruel, desumano e humilhante e violaria a proibição absoluta da tortura.

O gabinete do Secretário-Geral da ONU classificou como "abominável" a decisão dos EUA de transmitir ao vivo a execução.

"Uma execução em público ou diante de câmeras ao vivo é, francamente, abominável", disse o porta-voz do Secretário-Geral da ONU, Stephane Dujarric, durante uma coletiva de imprensa.

O Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já havia relatado que a transmissão ao vivo da execução violaria a proibição da tortura.

Mais cedo, o presidente estadunidense, Donald Trump, defendeu que Hasan merece morrer dessa maneira ao chamá-lo de maníaco.

"Hoje em dia, se você fica dois dias na cadeia, já é muito. Hoje, você pode fazer praticamente qualquer coisa e nada acontece. Mas estamos mudando isso, como vocês estão vendo. Vamos aplicar a pena de morte a um homem que matou 14 soldados há alguns anos. Pena de morte por fuzilamento. E ele merece. Matou e feriu muitas, muitas pessoas. É um maníaco", declarou Trump em evento na Casa Branca.

ONU condena sanções dos EUA a TPI após Nobel da Paz para juíza

A ONU também condenou as sanções ao Tribunal Penal Internacional anunciadas pela administração Trump mais cedo, horas depois da ex-juíza da Corte Navi Pillay ser anunciada como a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.

Os Estados Unidos impuseram sanções contra o TPI como instituição, além de sanções contra 13 juízes e procuradores independentes que servem à causa da justiça.

Pillay, de 85 anos, foi presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e teve papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados, de acordo com os organizadores do prêmio.

"O Comitê Norueguês do Nobel decidiu conceder o Prêmio Nobel da Paz de 2026 a Navi Pillay, por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", diz o comunicado oficial.