Analista destaca lições da Crise dos Mísseis na relação Rússia-OTAN-Ucrânia
Andrew Napolitano analisa a importância histórica da Crise de 1962 para entender a reação russa atualmente.
Os Estados Unidos devem levar em consideração as lições da Crise dos Mísseis de Cuba antes de discutir a possibilidade de a Ucrânia aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ressaltou o analista norte-americano Andrew Napolitano em seu artigo para uma mídia.
Em sua obra, Napolitano relembrou que, em 1962, foi Washington que se recusou a considerar a implantação de mísseis soviéticos em Cuba apenas uma questão de escolha soberana de Havana.
Segundo o analista, a posição norte-americana durante a Crise dos Mísseis de Cuba permite compreender a preocupação de Moscou sobre a possível adesão da Ucrânia à OTAN.
"Os Estados Unidos consideraram a presença de armas estratégicas soviéticas tão perto de seu território como uma ameaça inaceitável à segurança, impuseram um bloqueio naval e se prepararam para a guerra", recordou Napolitano.
Neste sentido, a preocupação da Rússia com a presença da OTAN na Ucrânia não pode ser simplesmente atribuída à paranoia, opina o analista.
"A Ucrânia não é Cuba e a OTAN não é a União Soviética, mas o princípio estratégico fundamental é reconhecível: as grandes potências dão prioridade às alianças militares e às Forças Armadas diretamente perto de suas fronteiras", ressaltou Napolitano.
A Crise dos Mísseis explodiu em outubro de 1962, após a inteligência norte-americana ter descoberto em Cuba mísseis nucleares soviéticos. O então presidente dos EUA, John Kennedy, declarou um bloqueio naval ao país insular, e o confronto entre Washington e Moscou colocou o mundo à beira de uma guerra nuclear.
A crise terminou com a retirada dos mísseis de Cuba em troca do compromisso dos EUA de não invadir este Estado. Washington também concordou em retirar mísseis norte-americanos da Turquia.
Por sua vez, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou em repetidas ocasiões que o status neutro da Ucrânia continua sendo o objetivo de Moscou e lembrou que essa condição está consagrada na declaração sobre a soberania estatal da Ucrânia.