ECONOMIA

União Europeia pode enfrentar escassez de gás no inverno

Relatório indica que reservas de gás estão nas menores desde 2011, com possível déficit de 14 bilhões de metros cúbicos.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/10/2026 às 08:14
Relatório alerta para risco de escassez de gás na União Europeia neste inverno. © Sputnik / Dmitry Lelschuk / Acessar o banco de imagens

A União Europeia (UE) corre o risco de enfrentar uma escassez de gás neste inverno, com as reservas caindo para seu nível mais baixo desde 2011, advertiu o Instituto de Economia da Energia e Análise Financeira (IEEFA, na sigla em inglês) no seu relatório compartilhado com uma mídia ocidental.

Neste inverno, a UE pode registrar um déficit geral de até 14 bilhões de metros cúbicos de gás natural, representando cerca de 7% da demanda do bloco, o suficiente para abastecer de dez milhões a 12 milhões de residências.

Hoje em dia, o gás é amplamente utilizado na Europa para aquecer edifícios, abastecer a indústria e gerar eletricidade. No entanto, os estoques da UE caíram para seu nível mais baixo para esta época do ano desde 2011, operando um pouco acima de 70%.

Em primeiro lugar, essa escassez e os preços altos devem-se à oferta global restrita por causa da guerra desencadeada pelos EUA e Israel no Oriente Médio.

Diante desse cenário, "a Europa tem opções limitadas de oferta se o próximo inverno for tão frio quanto o anterior", sugerem os analistas do think tank norte-americano.

Outra parte da pressão provém "da iminente proibição" em toda a UE de contratos de fornecimento de longo prazo para o gás natural liquefeito (GNL) russo, que deve entrar em vigor em janeiro de 2027.

Historicamente, o gás russo tem sido usado para compensar "as oscilações na demanda" durante o inverno, lembra o Instituto. De acordo com seu relatório, esse veto reduzirá as importações europeias em mais sete bilhões de metros cúbicos.

Como alternativa, a UE precisaria adquirir mais GNL dos EUA, mas, a preços atuais, importar os volumes perdidos custaria aos europeus um adicional de três bilhões de euros (R$ 16,8 bilhões), uns 12% a mais sobre o que o mesmo volume teria custado no ano passado, prevê a publicação.

Como consequência, se o bloco não conseguir encontrar fornecimentos adequados em outros lugares, esse déficit ameaça aumentar a perspectiva de um inverno de contas de energia em alta e medidas forçadas de economia, resumem os analistas.