DIREITOS HUMANOS

Navi Pillay é laureada com o Nobel da Paz 2026

Ex-chefe de direitos humanos da ONU é a vencedora do prêmio nesta sexta-feira, em cerimônia em Oslo.

Por Estadao Conteudo Publicado em 09/10/2026 às 07:52
Navi Pillay

A ex-alta comissária da ONU para direitos humanos Navanethem "Navi" Pillay, atual juíza da Corte Internacional de Justiça, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira, 8, em Oslo, na Noruega. Este prêmio é considerado uma das honrarias mais prestigiadas do mundo, e sua edição deste ano celebra o 125º aniversário da premiação, que foi criada em 1901.

O Comitê Nobel Norueguês recebeu 287 indicações para o Nobel da Paz de 2026, com mais de um quarto representando organizações. Especialistas destacam que o comitê frequentemente considera a durabilidade de iniciativas de pacificação, a promoção da fraternidade internacional e os esforços silenciosos de instituições que apoiam esses objetivos.

Antes da divulgação, analistas mencionaram possíveis candidatos como a Estação Espacial Internacional, equipes de emergência no Sudão, defensores dos direitos das crianças na Ucrânia, entre outros. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também era um nome cogitado. Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, que está em um conflito com o Irã, expressou publicamente o desejo de receber o prêmio, afirmando que o merece.

No ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado foi premiada por sua luta por uma transição democrática em seu país, sendo saudada pelo Comitê Nobel como uma mulher que mantém viva a chama da democracia em tempos difíceis. Após a queda do presidente Nicolás Maduro, Machado simbolicamente entregou sua medalha a Trump, embora o Comitê já tenha esclarecido que o prêmio não pode ser transferido.

As indicações para o Nobel são feitas por um grupo restrito de pessoas e instituições, incluindo chefes de Estado, professores universitários e ex-vencedores do prêmio.

Durante esta semana, outros prêmios Nobel foram anunciados. O de Medicina foi concedido a três cientistas que desenvolveram uma ferramenta baseada em luz para entender melhor o funcionamento do cérebro. O de Física homenageou contribuições para elucidar um raro grupo de neutrinos, enquanto o de Química foi para dois cientistas que explicaram o fenômeno das imagens-mirros em moléculas, o que impacta o desenvolvimento de medicamentos.

Na quinta-feira, a escritora canadense Anne Carson recebeu o Nobel de Literatura por suas obras inovadoras que misturam o clássico e o moderno, desafiam as fronteiras entre poesia e prosa.

O Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel será anunciado na próxima segunda-feira, com um valor total de 12 milhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 1,2 milhão), que pode ser destinado a um indivíduo, grupo pequeno de laureados ou uma organização.

Em 125 anos, o Nobel da Paz foi conferido a 112 pessoas e 28 instituições. A Cruz Vermelha ganhou o prêmio três vezes, enquanto a agência de refugiados da ONU foi laureada duas vezes. Apenas 20 das 112 pessoas premiadas eram mulheres, sendo que oito dessas premiações ocorreram nos últimos 15 anos. A ativista Malala Yousafzai é a mais jovem laureada, ganhando o prêmio aos 17 anos, em 2014.

Os Estados Unidos estão no topo das distinções, com 24 prêmios concedidos a cidadãos ou instituições americanas, seguidos pelo Reino Unido (13) e Suíça (11). No entanto, desde 2009, nenhum laureado de nacionalidade americana foi premiado, exceto Barack Obama, que foi agraciado quando era presidente.

O Nobel da Paz não foi concedido em 19 ocasiões, principalmente durante guerras mundiais. Em 1948, ano do assassinato de Mahatma Gandhi, não houve premiação, apesar de ele ter sido indicado 12 vezes. Em 1939, um parlamentar sueco chegou a indicar Adolf Hitler, mas posteriormente retirou a proposta, afirmando que nunca teve a intenção de levar a sério a indicação.