Douglas Ruas promete combate ao crime no Rio após decisão do TSE
Candidato do PL destaca que representa uma nova geração na política estadual.
Horas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar o recurso do ex-governador Anthony Garotinho relacionado à eleição no Rio de Janeiro, o candidato do PL ao governo do estado, Douglas Ruas, afirmou nesta quinta-feira (8), durante coletiva na sede do partido, na capital fluminense, que representa uma "nova geração" na política do Rio.
Com a decisão do TSE, os votos de Garotinho foram invalidados e a Justiça Eleitoral realizará uma nova totalização, prevista para o sábado (10). Pelos cálculos com base no resultado da votação de 4 de outubro, Ruas passa a ter 50,88% dos votos válidos, o que garante sua eleição em primeiro turno.
Durante o pronunciamento, Ruas afirmou que o resultado representa uma rejeição à geração de políticos que, segundo ele, permaneceu no poder durante as últimas três décadas. "Há algum tempo a gente tem visto o que aconteceu aqui no Rio de Janeiro, uma geração de políticos que estão há 30 anos no poder e eles não queriam que eu estivesse aqui que hoje. E fizeram de tudo para isso não acontecer. Muitas mentiras, uma lama de ataques, tudo aquilo que a população do estado do Rio de Janeiro conviveu nos últimos 30 anos", declarou.
O candidato do PL também disse que a população teria dado um recado ao rejeitar uma disputa marcada, segundo ele, por ataques e poucas propostas. "Passaram uma sensação de que não teria eleição no Rio de Janeiro e que tudo já estava resolvido [em relação ao favoritismo do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes], mas o povo mostrou nas urnas que a decisão foi a decisão pela mudança", declarou.
Na apuração do último domingo (4), com 100% das urnas contabilizadas, Ruas recebeu 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos votos válidos. Já Paes teve 3.706.984 votos, ou 42,76%, enquanto Garotinho recebeu 274.411 votos, correspondentes a 3,17%. A diferença entre Ruas e Paes foi de 564.215 votos.
Segurança será prioridade na gestão Ruas
Entre as principais promessas apresentadas durante a coletiva, Ruas destacou o combate ao crime organizado e a retomada de territórios controlados por facções criminosas. Ao se dirigir diretamente aos moradores de comunidades e bairros sob domínio territorial de grupos criminosos, o candidato afirmou que essas regiões serão prioridade de seu governo a partir de janeiro.
"Vamos declarar guerra ao crime organizado e vamos entrar com toda a força e coragem para libertar você desse jugo do crime organizado. Nós vamos devolver as ruas do Rio para o nosso povo [...]. Você quer ter o mesmo direito de quem mora na orla da Zona Sul, de abrir a porta da sua casa e se deparar, sim, com uma viatura da polícia militar, cumprindo um policiamento ostensivo, atuando na prevenção à violência", afirmou.
Na coletiva, Ruas também afirmou que pretende convocar todos os aprovados nos concursos das forças de segurança do estado e estabelecer um cronograma para novos concursos. O objetivo, segundo ele, é zerar o déficit de profissionais das instituições de segurança pública.
Questionado sobre as primeiras medidas após a retotalização dos votos, Ruas citou, além da segurança, a área da saúde. O candidato do PL afirmou que uma das metas para os primeiros 100 dias será entregar o Hospital do Câncer de Nova Friburgo. Ruas também declarou que pretende realizar uma transição "muito tranquila" com o atual governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto. Segundo ele, a posse deverá ocorrer em 6 de janeiro.
"Eu tenho certeza que nós vamos trabalhar em parceria nesses três meses que faltam para fazer uma transição muito tranquila, de maneira harmoniosa, para que a população do Estado do Rio de Janeiro possa ter garantido a continuidade e o avanço das políticas públicas que a gente vai iniciar a partir de janeiro do ano que vem", afirmou.
Críticas ao PSD e à judicialização da eleição
A decisão do TSE também foi tema central das perguntas dos jornalistas. Ruas criticou o adversário recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar manter os votos de Garotinho na contabilização. O candidato do PL classificou a disputa judicial como uma "gincana jurídica" promovida pelo PSD, partido de Eduardo Paes, e afirmou que a população do Rio está cansada dos conflitos judiciais.
"O Estado do Rio de Janeiro, nos últimos meses, já convive com uma verdadeira gincana jurídica patrocinada por esse mesmo partido político. É lamentável que se insista em querer levar para o Judiciário aquilo que deve ser resolvido na arena da política, no voto. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral hoje foi clara", enfatizou.
Apesar da forte polarização da campanha, Ruas afirmou que pretende governar para os mais de 17 milhões de habitantes do estado, independentemente do candidato escolhido na eleição. O candidato também prometeu manter diálogo com os 92 prefeitos fluminenses, independentemente de partido ou posicionamento político durante a eleição.
"Eu acredito que o potencial econômico do Estado do Rio de Janeiro está travado por conta da segurança pública. Então, a hora que a gente virar a chave da segurança pública, a gente vai fazer a economia do Estado do Rio de Janeiro crescer, mais emprego, mais empresa, mais arrecadação para o poder público", concluiu.