Mundo fandom amplia oportunidades para marcas além dos grandes picos de audiência
Dados mostram que 78% acompanham lançamentos para participar da conversa cultural; comunidades de fãs reúnem 300 milhões de usuários mensais globalmente
Assistir, jogar ou acompanhar um lançamento é apenas parte da relação dos fãs com o entretenimento. Dados da Fandom, maior plataforma global de conteúdo para entretenimento e games, mostram que 78% dos usuários da plataforma assistem ou jogam os lançamentos mais recentes para fazer parte da conversa cultural, enquanto 75% consultam páginas com informações sobre esses universos como segunda tela durante séries e filmes. Outros 40% são mais propensos a estar entre os primeiros a ver novos conteúdos.
Os números ajudam a dimensionar um público que não apenas consome a obra, mas continua explorando os universos ao redor dela. Globalmente, a Fandom reúne 300 milhões de usuários mensais, mais de 250 mil comunidades criadas pelos próprios fãs, 45 milhões de páginas de conteúdo e 5 bilhões de visualizações de vídeos. É um universo que se desenvolve em torno de filmes, séries, games, personagens e franquias e no qual o interesse pode se desdobrar em diferentes formas de consumo.
No Brasil, essa audiência também tem escala. A plataforma registra mais de 8,8 milhões de usuários mensais e alcança, todos os meses, 56% da Gen Z, entre 16 e 24 anos, e 35% dos Millennials, entre 25 e 44 anos. Entre os jovens adultos de 18 a 34 anos, são mais de 7 milhões alcançados mensalmente, segundo dados internos de 2026.
“Por muito tempo, o mercado olhou para o entretenimento muito concentrado nos grandes picos de audiência. Só que o interesse do público não desaparece quando uma estreia ou um evento termina. As comunidades continuam ativas, e existe um valor importante aí que ainda pode ser mais explorado pelas marcas”, afirma Bruno Almeida, CEO da US Media, parceira de publicidade exclusiva do Fandom no Brasil.
Do pico de audiência à diversificação de mídia
O movimento já aparece nas estratégias de grandes empresas. Em junho, a Nestlé lançou a Moça Lovers, comunidade criada para transformar consumidores em participantes e produtores de conteúdo, com desafios e recompensas em torno da marca. Já no entretenimento, a última temporada de Stranger Things levou a Netflix a fechar seu recorde de parcerias comerciais no Brasil, com 26 marcas envolvidas em produtos licenciados, experiências e ativações digitais.
Para o mercado publicitário, esse comportamento abre espaço para diversificar o planejamento de mídia, combinando os grandes momentos de alcance com ambientes em que o público já demonstra interesse ativo por determinados universos.
“Hoje, olhar só para alcance já não é suficiente. As marcas também precisam entender onde estão entrando, por que aquele público está ali e qual é a relação dele com aquele conteúdo. Quando você traz esse contexto para o planejamento, consegue tomar decisões de mídia muito mais qualificadas”, conclui Almeida.