POLÍTICA

Exército analisa possíveis efeitos de governo Flávio Bolsonaro nas Forças Armadas

Debates entre militares incluem discussão sobre comando e ministério da Defesa em um eventual governo.

Por Sputnik Brasil Publicado em 08/10/2026 às 05:41
Debates sobre impactos de governo Flávio Bolsonaro nas Forças Armadas acontecem entre oficiais do Exército. © AP Photo / Eraldo Peres

Integrantes do Alto Comando do Exército discutem reservadamente os possíveis impactos de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência. As conversas incluem nomes para a Defesa e o comando da Força, refletindo expectativas e receios sobre o papel dos militares em um novo governo ligado ao clã Bolsonaro.

De acordo com um jornal de grande circulação no país, integrantes da cúpula militar brasileira discutem reservadamente os possíveis desdobramentos de uma eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência.

Segundo a apuração, as conversas ocorrem em grupos de WhatsApp, telefonemas e reuniões informais paralelas aos encontros do Alto Comando do Exército, em um contexto em que as Forças Armadas ainda buscam se recuperar do desgaste institucional causado pela proximidade com o governo de Jair Bolsonaro (2019-2023), hoje preso por tentativa de golpe de Estado, cumprindo pena em regime domiciliar humanitário por questões de saúde.

Entre os oficiais-generais, predomina a avaliação de que um eventual governo Flávio teria um ministro da Defesa civil e alinhado ao bolsonarismo, afirma o artigo. O nome mais citado é o de Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Degaut também chegou a ser cogitado para o Itamaraty, mas sua trajetória recente o aproxima mais da área de Defesa e das articulações internacionais do setor.

A possível indicação de Degaut desperta questionamentos entre militares por causa de sua passagem pelo Edge Group, conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos que expandiu sua presença no Brasil ao adquirir empresas estratégicas como a fabricante de mísseis SIATT e a empresa de engenharia Akaer. Mesmo sob sigilo, o Exército evitou comentar as especulações sobre futuros cargos em um eventual governo.

Já sobre o comando da arma, o nome mais mencionado é o do general Francisco Humberto Montenegro Júnior, atual número dois da Força. Considerado um dos integrantes mais políticos do Alto Comando, ele é visto como alguém capaz de conduzir a transição entre governos de orientações ideológicas distintas. Seu principal obstáculo, contudo, é a tradição de escolher os oficiais mais antigos da hierarquia, o que favoreceria o general Luciano Guilherme Cabral Pinheiro.

A sucessão também é influenciada pela relação com o atual comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, que discursou em defesa da legalidade e da despolitização das Forças Armadas durante a crise que antecedeu os eventos de 8 de janeiro de 2023.

Entretanto, outros nomes aparecem na disputa pelo comando da Força, como Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante de Operações Terrestres e ex-paraquedista, condição que lhe rende simpatia entre setores bolsonaristas, e Luiz Fernando Baganha, atual diretor de pessoal, que atuou no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo Bolsonaro e foi subordinado direto do general Augusto Heleno, também preso por participação na tentativa de golpe de Estado.

Apesar das especulações, os militares tratam o tema com cautela, afastando-se da campanha do filho de Bolsonaro, para evitar constrangimentos ao comandante Tomás Ribeiro Paiva, destaca a apuração.

Embora os generais cotados sejam identificados com posições mais conservadoras, nenhum deles é atualmente associado às articulações golpistas que marcaram parte da cúpula militar no governo anterior.

A possível relação entre um futuro governo Flávio e as Forças Armadas ainda gera dúvidas. Alguns interlocutores avaliam que a aproximação pode ser limitada pelo histórico de atritos entre Jair Bolsonaro e os comandos militares, pela falta de apoio das Forças à tentativa de ruptura institucional de 2022 e pelas controvérsias que cercam o clã Bolsonaro.

Na Marinha e na Aeronáutica, as discussões são ainda mais discretas, enquanto parte dos militares acompanha com expectativa a situação de oficiais condenados por envolvimento na trama golpista e o futuro de eventuais punições disciplinares, conclui a mídia.