Brasil e EUA formam grupo para discutir tarifas comerciais
Entendimento ocorre em meio a eleições e tensões comerciais entre os países.
Os governos do Brasil e dos EUA decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as tarifas aplicadas por Washington sobre produtos brasileiros e outros temas da relação comercial. O entendimento foi anunciado às vésperas do primeiro turno, em meio à disputa comercial entre os dois países.
Para a economista Juliana Inhasz, um acordo antes do segundo turno seria pouco provável devido ao curto período até a votação. Segundo ela, o mais viável seria um entendimento parcial, com a retirada da sobretaxa para determinados produtos ou a ampliação de exceções.
As 21 exigências apresentadas por Washington também devem continuar pesando sobre as tratativas. Na avaliação de Inhasz, a lista demonstra a amplitude dos interesses dos EUA e exige cautela do governo brasileiro, principalmente pela presença de questões institucionais entre as demandas.
A internacionalista Natali Hoff avalia que o resultado do primeiro turno também modificou o cenário político das negociações. Segundo ela, a maior competitividade na disputa presidencial pode levar Washington a aguardar a definição das eleições antes de avançar de forma significativa.
"Talvez faça mais sentido para o Trump e para o seu governo esperar para ver o que vai acontecer e o quanto isso pode ser mais favorável para que ele avance a sua agenda econômica nas relações que ele tem com o Brasil". Para Hoff, as 21 exigências continuam relevantes porque mostram que o tarifaço envolve interesses que vão além do comércio bilateral.
Nesse cenário, além da eleição brasileira, as eleições de meio de mandato nos EUA, as chamadas 'midterms', também podem influenciar o ritmo e os termos de um eventual acordo.
Por Sputnik Brasil