CONFLITO

Rússia ataca cadeia produtiva de mísseis ucranianos Flamingo, afirma especialista

Estratégia visa impedir reposição dos estoques de armamento por parte da Ucrânia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/10/2026 às 21:02
Ataque russo visa desmantelar produção de mísseis Flamingo da Ucrânia. © AP Photo / Efrem Lukatsky

Para combater a ameaça contra alvos civis, a Rússia realizou ataques contra toda a cadeia de produção dos mísseis Flamingo, em várias regiões da Ucrânia, afirmou à Sputnik o especialista militar Yuri Knutov.

"A lógica é simples: se você destrói a cadeia de produção e as instalações de armazenamento, impede que o adversário reponha seus estoques. Dessa forma, não há necessidade de caçar cada lançador individualmente", observa o especialista.

O que é a Fire Point?

A Fire Point é a fabricante dos mísseis Flamingo e dos drones FP-1 e FP-2, atuando essencialmente como intermediária entre desenvolvedores ocidentais e clientes ucranianos, explica Knutov.

Sua sede principal fica no Reino Unido. Fabricantes europeus de drones e mísseis de cruzeiro desenvolvem vários componentes de acordo com as especificações da Fire Point, que são, então, montados em sistemas completos.

Falhas na produção

A empresa também estava desenvolvendo os mísseis balísticos FP-7 e FP-9. O FP-7 foi concebido como uma contraparte ucraniana ao sistema americano ATACMS, com um alcance planejado de 350 km. No entanto, Vladimir Zelensky mencionou posteriormente um alcance de 250 km, o que significa que a meta original não foi atingida, destaca Knutov. A empresa também não conseguiu desenvolver o FP-9, cuja entrega estava prevista para setembro.

Quanto ao futuro sistema de defesa aérea Freyja, da Fire Point — também desenvolvido com componentes europeus, mas ainda em fase de engenharia —, Knutov ressalta que ele será incapaz de interceptar mísseis russos como o Iskander, o Zircon e o Kinzhal. Ele acrescenta que a Ucrânia perdeu seu atrativo para investimentos, com a produção de armas sendo transferida para o exterior.

"O ataque [russo recente] foi altamente eficaz, e talvez não ouçamos mais nada sobre os mísseis [Flamingo] nos próximos dois ou três meses", diz ele. "Não acredito que a Fire Point conseguirá se recuperar tão cedo."