Garotinho rebate acusações e denuncia irregularidades na segurança pública
Ex-governador do Rio se manifestou em coletiva sobre crise eleitoral e refutou acordos com adversários.
Em uma coletiva de imprensa marcada por críticas e denúncias, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) reagiu às acusações feitas pelo candidato Eduardo Paes (PSD).
A manifestação aconteceu em meio à crise eleitoral provocada pela desistência de Garotinho de um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão pode anular os 274.411 votos recebidos por ele, o equivalente a 3,17% da votação, e mudar o resultado da eleição para o Governo do Estado, podendo levar Douglas Ruas (PL) à vitória ainda no primeiro turno.
Garotinho classificou as declarações de Paes como "desespero de quem teme o julgamento popular". Ele negou que tenha atuado como "candidato laranja" ou participado de uma "armação antijurídica".
Além de falar sobre a questão judicial, Garotinho começou a coletiva fazendo denúncias contra setores da segurança pública e da área de inteligência do estado.
Ação para apreender celular e suposto monitoramento
Garotinho afirmou que houve uma ação policial direcionada para apreender o celular de um aliado e colaborador próximo. Segundo o ex-governador, agentes ligados à cúpula da Segurança Pública e à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) teriam participado da operação.
Para Garotinho, o objetivo seria acessar informações e fontes usadas pela campanha para fazer denúncias de supostas irregularidades e casos de corrupção no governo estadual. Ele também acusou integrantes do Judiciário, da Polícia Civil e do Ministério Público de terem agido rapidamente para tentar impedir sua candidatura antes da eleição.
Metadados do documento e parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral
Outro ponto abordado por Garotinho foi a acusação feita pela campanha de Eduardo Paes de que o advogado Marcello Dias de Paula teria sido o "autor intelectual" do parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral. O candidato do PSD apontou que o nome do advogado aparecia nas informações do arquivo PDF enviado ao TSE.
Garotinho chamou a acusação de "deselegância jurídica" e explicou que o nome apareceu nos metadados porque o vice-procurador-geral eleitoral teria usado e reproduzido trechos das petições apresentadas anteriormente pela defesa.
O ex-governador também destacou que o parecer final do Ministério Público Eleitoral recomendou o indeferimento da candidatura dele. Por isso, Garotinho afirmou que não faria sentido falar em uma "jogada combinada" entre sua defesa e a Procuradoria-Geral Eleitoral.
Desistência no TSE e possível mudança no resultado da eleição
Garotinho também defendeu a decisão de desistir do processo que tratava do registro de sua candidatura no TSE. Segundo a defesa, retirar o recurso é um direito previsto na legislação processual. Garotinho criticou a tentativa da coligação de Paes de impedir a desistência.
Ele também apontou uma suposta contradição na postura dos adversários. Segundo Garotinho, durante toda a campanha, a coligação de Paes questionou o direito dele disputar a eleição e pediu que sua candidatura fosse anulada.
Agora, depois da votação, a mesma campanha estaria recorrendo à Justiça para tentar manter os votos de Garotinho na contagem. Na avaliação dele, o objetivo seria garantir a realização do segundo turno contra Douglas Ruas.
Garotinho nega acordo entre Wladimir e Ruas
Garotinho também negou as acusações de que seu filho, Wladimir Garotinho, prefeito de Campos dos Goytacazes, teria feito um acordo político com Ruas. Segundo as acusações, o acordo envolveria cargos e apoio político em troca da desistência do recurso no TSE.
O ex-governador do Rio de Janeiro afirmou que não houve conversa, promessa de cargos ou qualquer acordo de bastidores entre Wladimir e a campanha de Ruas. Garotinho também disse que sua trajetória política é independente das decisões tomadas pelo filho.
Ele afirmou ainda que votou na legenda do próprio partido, o Republicanos, que nunca cogitou apoiar grupos políticos que enfrentou durante a campanha.
Garotinho promete levar denúncias ao CNJ e ao CNMP
No fim da coletiva, Garotinho afirmou que pretende apresentar representações ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Segundo ele, as medidas serão tomadas depois do encerramento do processo eleitoral.
Garotinho quer que sejam investigadas as condutas de promotores, magistrados e delegados que, segundo ele, teriam atuado de forma política e ultrapassado suas funções para interferir na eleição e no resultado da disputa pelo governo do Rio.