Um robô a cada 10 minutos: quem vai programar as máquinas da nova geração?
Fábrica chinesa tem capacidade para produzir mais de 10 mil humanoides por ano, e a aceleração da robótica amplia a demanda por conhecimentos em programação e IA
Imagine uma fábrica com capacidade para produzir mais de 10 mil robôs humanoides por ano. É o que a chinesa UBTech projetou para sua nova unidade em Liuzhou, na China. Na prática, o volume equivale à produção de aproximadamente um robô a cada dez minutos, considerando o ritmo médio necessário para atingir essa capacidade anual. A fábrica utiliza robôs, veículos autônomos e sistemas de gêmeo digital (réplicas virtuais que simulam e monitoram a produção em tempo real) na própria linha de produção, mostrando como a automação também está presente na fabricação das máquinas que deverão atuar em outros ambientes.
O ritmo da unidade acompanha a expansão acelerada do mercado de robôs humanoides. Dados da consultoria IDC apontam que quase 25 mil unidades foram enviadas globalmente no primeiro semestre de 2026, alta de 432,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mais de 95% dos enviados foram produzidos por fabricantes chineses, reforçando a velocidade com que o país vem avançando nesse setor.
Cada uma dessas máquinas reúne diferentes áreas do conhecimento. A robótica depende de componentes físicos, sensores e sistemas de controle, mas também de programação, que define como o equipamento interpreta informações, responde a comandos e executa movimentos. Com a inteligência artificial, os sistemas passam a reconhecer padrões e a usar dados para ajustar suas respostas e realizar determinadas tarefas.
Com o setor em expansão, cresce a procura não só pelas máquinas, mas por profissionais capazes de desenvolvê-las, programá-las e aprimorá-las. Habilidades como programação, lógica e tecnologia ganham destaque e podem ser cultivadas desde a educação básica.
É nesse contexto que o ensino de programação e robótica para crianças e adolescentes ganha outra dimensão. Para Marco Giroto, fundador da SuperGeeks, escola especializada em IA, Ciência da Computação e Tecnologia, esse aprendizado ajuda os jovens a ter uma visão mais ampla das ferramentas que utilizam.
"A programação é o que permite dar instruções para que uma máquina execute determinada tarefa. Desenvolver esse raciocínio lógico ajuda a entender não apenas como os robôs funcionam, mas também como outras tecnologias presentes no nosso cotidiano são construídas", afirma.
Embora nem todo jovem que aprende programação vá seguir carreira na área, a formação pode ampliar as opções de atuação em um mercado marcado pelo avanço da automação e da IA.
"A IA vai fazer cada vez mais parte da rotina das novas gerações, e não adianta ensiná-las a simplesmente evitá-la. É preciso prepará-las para utilizá-la com consciência, entendendo que a tecnologia pode ampliar possibilidades", explica.
Na visão de Giroto, o preparo precoce também muda o papel dos jovens diante da tecnologia. "Quanto mais cedo eles desenvolverem essas habilidades, maiores serão as chances de que, no futuro, não apenas utilizem o que foi criado por outros, mas também estejam entre aqueles que vão desenvolver as próximas soluções", conclui.