Crescimento no setor de planos de saúde revela novas dinâmicas entre operadoras
Em agosto, mercado de saúde adicionou 62,2 mil beneficiários, com destaque para empresas do segmento corporativo.
O mercado brasileiro de planos de saúde mantém trajetória de crescimento, mas os dados de agosto reforçam uma redistribuição de participação entre as operadoras, com os ganhos concentrados principalmente no segmento corporativo, avaliam analistas de BTG Pactual, Itaú BBA, BofA e Citi.
Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgados esta semana, o mercado de assistência médica adicionou 62,2 mil beneficiários no mês, chegando a 53,164 milhões de vidas. No ano, o saldo acumulado é de cerca de 309 mil novos beneficiários. No segmento odontológico, o avanço foi mais forte, com 377 mil novas vidas apenas em agosto.
Para o BTG Pactual, em relatório assinado por Samuel Alves e Maria Resende, os dados reforçam a tese de que o mercado está passando por um processo de consolidação e transferência de participação, favorecendo empresas não verticalizadas. Amil, Bradesco Saúde e SulAmérica aparecem, na avaliação do banco, entre as companhias mais bem posicionadas para ganhar market share.
O Itaú BBA, em relatório de Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio, tem uma leitura semelhante, mas mais focada na composição do crescimento. Os analistas destacam que as seguradoras adicionaram 71 mil beneficiários em agosto, enquanto a medicina de grupo ganhou 11 mil, ao passo que cooperativas médicas e autogestões perderam 9 mil e 13 mil vidas, respectivamente.
Para o banco, o desempenho mostra que o crescimento está concentrado em determinados grupos e principalmente na carteira corporativa.
Entre as operadoras, Amil, Bradesco Saúde, Porto Saúde e SulAmérica formaram o grupo que mais ganhou beneficiários em agosto, com destaque para a Amil, que adicionou 37,9 mil vidas, e o Bradesco, com 23 mil. Porto e SulAmérica ganharam aproximadamente 17 mil e 15 mil, respectivamente.
A avaliação dos bancos é que o movimento reforça a posição competitiva dessas empresas, especialmente Amil, Bradesco e SulAmérica. O Itaú destaca que a expansão da Amil foi fortemente concentrada no segmento corporativo, enquanto o BTG vê o desempenho como parte de uma tendência mais estrutural de ganho de participação.
Na outra ponta, Hapvida, Central Nacional Unimed (CNU) e Unimed BH estiveram entre as operadoras que mais perderam beneficiários. A Hapvida teve a maior retração, de aproximadamente 40 mil vidas, enquanto a CNU perdeu cerca de 9 mil e a Unimed BH, 782. A Hapvida acumula perda de cerca de 166 mil beneficiários no ano e é apontada pelo BTG como o principal destaque negativo. O Itaú BBA também considera o desempenho fraco, mas observa que a perda de agosto foi menor que a registrada em julho e que a retração está concentrada principalmente na carteira individual.
O Bank of America (BofA), em relatório de Flavio Yoshida, Mirela Oliveira e Eyzo Kuroki, também identifica a Hapvida como o principal ponto negativo na movimentação de beneficiários e destaca o desempenho de Amil, Bradesco Saúde e SulAmérica.
Na avaliação do banco, porém, os dados de agosto trazem também os primeiros sinais de desaceleração do mercado, apesar da manutenção do crescimento. O banco considera que a redução da base da Hapvida está relacionada ao processo de ajuste da carteira da companhia, enquanto os ganhos das demais operadoras indicam uma dinâmica competitiva mais favorável para os grupos que vêm ampliando sua presença.
O Citi, em relatório de Leandro Bastos, mantém uma leitura positiva sobre o mercado e considera que a saúde suplementar segue em trajetória de crescimento consistente. A XP, por sua vez, acrescenta um ponto de atenção ao cenário: em relatório de Gustavo Tiseo, aponta que as reclamações de beneficiários aumentaram 23% em agosto, para 32,7 mil Notificação de Intermediação Preliminar (NIPs), movimento que pode antecipar nova pressão sobre a judicialização e as provisões das operadoras.