ECONOMIA

R$ 1,3 bilhão ainda disponível em apostas será informado a bancos

O ministro Dario Durigan anunciou que as plataformas de apostas devem ressarcir os apostadores até dia 14.

Por Estadao Conteudo Publicado em 06/10/2026 às 19:08
R$ 1,3 bilhão ainda disponível em apostas será informado a bancos © Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira, 6, que ainda há cerca de R$ 1,3 bilhão em saldo nas plataformas de apostas que estavam autorizadas a operar.

“Hoje, terça-feira, 6, foi o primeiro dia em que não há autorização para as apostas operarem no País. Portanto, nenhum site está legalmente autorizado a operar; os 188 sites e endereços anteriormente habilitados estão fora do ar e seguimos combatendo os sites ilegais”, afirmou o ministro a jornalistas. Segundo ele, havia sido identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saíam da poupança popular e iam para as apostas. “Dinheiro da economia real que passa a ficar com as famílias. Esse é um ganho”, acrescentou.

Entre esta terça e quarta-feira, as plataformas deverão informar aos bancos os saldos individuais de cada apostador, visando o ressarcimento do valor às famílias. O montante de R$ 1,3 bilhão corresponde à soma do saldo de pelo menos 26 milhões de apostadores, de acordo com Durigan. Desses, aproximadamente 1%, ou cerca de 200 mil apostadores, são responsáveis por 80% da quantia total.

“1%, algo como 200 mil apostadores, representa 80% do saldo pendente de resgate nas apostas autorizadas. 3,4% dos apostadores representam 90%, então percebemos uma grande concentração”, afirmou Durigan.

Os bancos terão até o dia 14 de outubro para restituir os apostadores. Caso haja dificuldades por parte das instituições até esse prazo, a Caixa Econômica Federal irá intermediar o ressarcimento. “As apostas autorizadas informarão aos bancos onde as contas estavam abrigadas, quais são os saldos por CPF, para que a partir do dia 9 até o dia 14 esses bancos realizem a restituição aos apostadores. O dinheiro que está no saldo das apostas é do apostador, não da aposta, e deve voltar ao CPF do apostador”, destacou.

Segundo o ministro, poucos apostadores têm um volume elevado de saldo remanescente (acima de R$ 500 mil), e cerca de 40 contas estão sob investigação, por conter valores suspeitos e desproporcionais. “Esses já estão sob investigação para que possamos evidenciar, junto às autoridades competentes - especialmente o Ministério da Justiça e a Polícia Federal - se há indícios de lavagem de dinheiro ou qualquer irregularidade”, pontuou.

Durigan ainda comentou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) bloqueou, até esta terça, 11.740 sites ilegais de apostas e solicitou a remoção de 3.489 páginas, perfis e grupos nas redes sociais e mensagerias. Desses, foram 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 837 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord.

“Esse volume de perfis e páginas bloqueados impactava 17,2 milhões de usuários e seguidores nessas redes”. Por fim, o ministro defendeu que o combate aos conteúdos ilegais que endossam as apostas deveria ser uma política das grandes plataformas tecnológicas. “O ideal é que isso seja implementado como política das próprias big techs, para que não seja uma demanda externa. As empresas devem cuidar para que esses conteúdos sejam bloqueados proativamente”, concluiu.