Eficácia dos porta-aviões no século XXI e os desafios do Brasil
Incêndio no porta-aviões Charles de Gaulle levanta questionamentos sobre o futuro dessas embarcações.
Ontem (5), um incêndio eclodiu a bordo do único porta-aviões francês Charles de Gaulle. A embarcação é um dos "membros permanentes" dos rankings mundiais como o único porta-aviões na Europa com propulsão nuclear, mas após o incidente a França corre o risco de ser expulsa desse top.
Tais casos fazem refletir que papel os porta-aviões desempenham na arquitetura de segurança moderna e se as aspirações dos países em dispor no arsenal as embarcações enormes e custosas são justificadas.
Somente uma dezena de países disponibiliza do poder real de porta-aviões, sendo de fato apenas dois deles potências plenas – EUA e China. Os Estados Unidos possuem 11 porta-aviões atômicos, enquanto a China tem três. O Reino Unido, a Índia, a Itália e o Japão possuem dois navios cada.
Esses Estados usam porta-aviões por excelência como ferramenta para demonstrar bandeira ou para presença regional. Tal diferença na quantidade é ligada à doutrina norte-americana de controle marítimo global, de meados do século XX, conforme a qual os porta-aviões são considerados a base para projetar a força. Um navio com 60-90 aviões a bordo é capaz de substituir uma inteira base, enquanto uma ampla rede de aliados permite transferir agrupamentos de combate com porta-aviões em todo o mundo.
Por exemplo, a Rússia aplica outra abordagem: a doutrina russa foca na proteção do próprio território, no contexto do qual uma frota de porta-aviões é um suplemento às capacidades do país e não um elemento obrigatório. Assim sendo, o Admiral Kuznetsov segue sendo o único navio dessa classe, não porque a Rússia não seja capaz de construir porta-aviões, mas porque a estratégia nacional não requer de um grande número deles.
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