POLÍTICA

Lula acredita que abstenção de eleitores é responsabilidade do partido

Presidente destaca a importância de rever a situação dos 33 milhões que não compareceram às urnas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/10/2026 às 21:52
Lula se pronuncia sobre a abstenção de eleitores em reunião com apoiadores. © Foto / Divulgação / Ricardo Stuckert

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizou uma reunião nesta segunda-feira (5) com apoiadores e declarou que a ausência de mais de 33 milhões de eleitores é "responsabilidade nossa".

Lula, que terminou o primeiro turno com 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro (PL), declarou que o momento pede entender o motivo de tamanha abstenção, sem julgamentos, mas com "humildade".

"Não briguem com o eleitor. Não falem mal porque o eleitor não votou em vocês. [...] Temos que ter humildade", declarou Lula. "São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu então com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu terceira via. [...] Possivelmente tem uma causa, um desinteresse. E a responsabilidade é nossa, é devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral. É simples assim."

O presidente petista, que não participou de nenhum debate no primeiro turno, afirmou que os eventos nas emissoras de televisão agora se mostram de grande importância por ser uma oportunidade de um confronto um contra um com Flávio, a quem classificou como "a cara do sistema".

"Ele [Flávio] é a cara do sistema. E nós não explicarmos isso para a sociedade é um grande defeito nosso. Porque aqui só tem um candidato que é o antissistema, que somos nós. Não tem outro candidato. Estamos carregando nas nossas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que se revelou no STF. [...] Nós precisamos fazer outra reforma. E precisamos definir qual é o papel da sociedade nessa reforma. Nós precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher o ministro da Suprema Corte."

Para buscar a virada no segundo turno, Lula afirmou que terá que dormir menos, participar de mais programas de rádio e tirar mais selfies, embora o jeito que ele tenha se acostumado a fazer política, segundo ele, seja no corpo a corpo que as ruas proporcionam.

O presidente também afirmou que as atuais políticas públicas para o combate ao tráfico de drogas e outros crimes não dão certo e reforçou o desejo pela aprovação da Proposta de Emenda À Constituição (PEC) da Reforma da Segurança Pública, que visa aumentar a participação do governo federal em assunto que hoje é controlado pelos estados.

"O lugar que a segurança pública tem é proteger a segurança do cidadão trabalhador. Porque o bandido tem que ir para a cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar. Nós não podemos continuar assistindo ao povo pagando pedágio para pegar o seu gás, o povo pagando pedágio para ter as políticas públicas que o Estado tem que dar."