ECONOMIA

Crescimento econômico da Índia enfrenta desafio da desigualdade

Ministro da Educação destaca que PIB do país atingiu 7,8% no primeiro trimestre de 2026.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/10/2026 às 18:57
Análise sobre o crescimento econômico da Índia e os desafios da desigualdade. © AP Photo / Rajanish Kakade

Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialista aponta que o país vem registrando um crescimento expressivo, em parte, viabilizado pela disputa entre EUA e China, mas destaca que a redução da desigualdade é crucial para manter essa expansão.

A Índia registrou o maior ritmo de crescimento econômico do mundo, com o Produto Interno Bruto (PIB) do país alcançando 7,8% no primeiro trimestre de 2026.

A notícia foi dada pelo ministro da Educação do país, Pralhad Joshi, que celebrou o feito em declaração dada à agência de notícias ANI, parceira da TV BRICS.

"Enquanto o mundo enfrenta diversos desafios e crises econômicas, hoje a Índia é a economia que cresce mais rapidamente no mundo", afirmou Joshi.

A Índia liderou as expectativas econômicas entre os países e regiões incluídos em uma nova pesquisa do Fórum Econômico Mundial. Cerca de 74% dos economistas entrevistados esperam que a economia indiana registre um crescimento rápido ou muito rápido nos próximos 12 meses. No total, 98% dos especialistas projetam pelo menos uma expansão moderada da economia. Em comparação, na pesquisa realizada em maio, 52% dos participantes esperavam um crescimento forte ou muito forte.

Além disso, cerca de 62% dos entrevistados acreditam que a renda real dos domicílios indianos aumentará no próximo ano. Entre eles, 7% preveem um avanço significativo.

Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Eduardo Mangueira, doutorando em relações internacionais e pesquisador do Boletim Geocorrente, afirma que esse crescimento ocorre devido a uma combinação de investimentos em infraestrutura, avanço no setor de tecnologia e uma farta população jovem.

"Além disso, nós não podemos esquecer de como isso tudo se dá num cenário internacional que é favorável [...], com os imbróglios que têm acontecido de guerra comercial entre China e os Estados Unidos, a Índia tem se colocado como um parceiro favorável para o qual diversas empresas têm realocado a sua indústria", afirma.

Ele diz que, nesse cenário, a parceria energética com a Rússia é "completamente necessária" para a competitividade e segurança econômica da Índia.

"Hoje em dia a Índia necessita do petróleo russo para poder continuar fazendo esse motor [da economia] rodar", observa o especialista.

Joshi avalia que entre os setores mais esperados para crescer nos próximos meses na Índia estão o de serviços e a indústria bélica, que tem recebido grandes investimentos. Porém, ele afirma que ainda falta "dividir o bolo", reduzindo a desigualdade no país, e traça um comparativo com a China.

"Eu não consigo deixar de pensar no que a China é hoje e de como que a sua população tem um poder de compra muito alto. Ao mesmo tempo, a Índia tem um trabalho educacional muito forte."

Segundo ele, a redução da desigualdade será crucial para que a Índia consiga manter esse crescimento expressivo em longo prazo, do contrário será um projeto fadado ao fracasso, porque a população do país continua a crescer.

"E essa população, ela é cada vez mais descontente com a situação desigual, enquanto o governo continua a alardear o crescimento econômico. Mas se esse crescimento econômico não é visto por essa população, traz um problema que não é só econômico, mas também político, porque essa população corre o risco de se revoltar."

Ele faz uma comparação com o milagre econômico vivenciado pelo Brasil durante a ditadura, no qual o país registrou um crescimento expansivo, mas o desenvolvimento não avançou por conta da desigualdade, e "o milagre econômico, eventualmente, acabou".

"Quando o milagre acabou, a economia brasileira sentiu o seu baque. Nós entramos em crises muito profundas, em sucessão, que só acabaram com o plano real. E essa é uma situação que eu acabo entendendo como próxima ao futuro da Índia. Porque eles não têm feito o trabalho necessário de envolvimento da maior parte da população nesse crescimento econômico."