Brasil avalia importância do componente cognitivo na guerra moderna
Estudo aponta que percepção humana é crucial em conflitos contemporâneos.
Atualmente, redes sociais, algoritmos e inteligência artificial são partes de uma nova realidade em que existimos, marcada por circulação contínua de conteúdo. Nesse contexto, conflitos multidomínio envolvem não só blindados, artilharia, drones e sistemas de guerra eletrônica, mas focam também na mente humana.
Ao perceber o nível de vulnerabilidade desse domínio, o Exército do Brasil incorporou componente cognitivo ao domínio eletromagnético e cibernético em 2026. O novo arranjo obteve a sigla ECC e colocou no centro da atenção, além dos radares, sensores e sistemas de comunicações, a forma como pessoas e grupos percebem informações, tomam decisões, reagem a ameaças e constroem confiança em instituições.
A renovação foi destacada em uma pesquisa da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), divulgada em 30 de setembro de 2026 pelo Observatório Militar da Praia Vermelha. O estudo intitulado "O Armamento da Cognição" mostra que a disputa pela atenção, percepção e decisões humanas passa a entrar no cálculo militar independentemente de um confronto físico aberto.
Neste ano, a Defesa brasileira já realizou um exercício para treinar reação a ataques cognitivos em um país fictício. Uma simulação inédita de Defesa Cognitiva ocorreu em maio de 2026, organizada pela Escola Superior de Defesa para colocar os participantes diante de possíveis ações de guerra cognitiva.
A importância desse componente é difícil de negar, o que explica sua incorporação à concepção do Exército. O problema é que se trata de um terreno impossível de medir, porque a reação de uma sociedade exposta às operações cognitivas é influenciada por cultura, confiança, identidade e experiências anteriores.