ELEIÇÕES

TSE confirma ausência de interferência estrangeira e aborda atraso na apuração

Kassio Nunes Marques destaca a normalidade das eleições e explica problemas técnicos na totalização dos votos.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/10/2026 às 00:19
Kassio Nunes Marques explica ausência de interferência externa nas eleições de 2022. © Valter Campanato/Agência Brasil

Kassio Nunes Marques afirmou que não houve intercorrências que indiquem interferência externa e atribuiu a demora na totalização a congestionamento de dados.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não foi constatada nenhuma intercorrência no primeiro turno das eleições que pudesse ser caracterizada como interferência estrangeira no pleito.

Em coletiva de imprensa, Nunes Marques disse que observadores internacionais que acompanharam a votação confirmaram a transparência e a normalidade das eleições. Segundo ele, também não houve alertas dos setores do TSE sobre eventual intervenção externa.

"Não tivemos nenhuma intercorrência grave, os riscos climáticos [foram] afastados, e não tivemos nenhum alerta dos diversos setores do TSE acerca de interferência estrangeira. Não constatamos nenhum tipo de intervenção."

A declaração ocorre após o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, confirmar a abertura de uma investigação para apurar uma suposta interferência estrangeira nas eleições. Na semana passada, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar um possível financiamento do governo de Donald Trump para ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

A apuração foi motivada por uma reportagem do jornal britânico The Guardian, segundo a qual o governo dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, para uma campanha contra o STF.

Atraso na apuração

Nunes Marques também reconheceu que houve atraso na divulgação dos resultados do primeiro turno. Por volta das 19h, o sistema de totalização dos votos deixou de atualizar os números por cerca de uma hora.

Segundo o presidente do TSE, a área de tecnologia da Corte identificou um fluxo de dados acima do normal. "O que ocorreu foi um congestionamento de dados. Mas temos um protocolo muito seguro de revisitar todos os sistemas. O que não se sabe é se isso é derivado de outros problemas. Mas o que nossa TI identificou foi um fluxo acima do normal", afirmou.

O TSE informou que a demora não foi causada pelas filas registradas em algumas seções eleitorais. De acordo com a Corte, o problema ocorreu em razão do volume de dados enviados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Durante o primeiro turno, também foram registradas intercorrências provocadas pelo mau tempo no Paraná. Segundo Nunes Marques, quase 140 cidades do estado estavam sem energia elétrica no início da votação, mas os problemas foram solucionados e não impediram a participação dos eleitores.

Até as 21h, com 98,48% das seções totalizadas, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecia em primeiro lugar na disputa presidencial, com 47,29% dos votos válidos, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 44,85%.

Com 99,18% das seções apuradas, 39,1 milhões de eleitores não haviam comparecido às urnas ou votaram em branco ou nulo. A abstenção foi de 21,07%, o maior percentual registrado em um primeiro turno de eleição presidencial desde 1998.