POLÍTICA

PF investiga possível interferência dos EUA nas eleições de 2026

Eduardo Bolsonaro levanta suspeitas sobre anulação de resultados eleitorais

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/10/2026 às 20:01
PF investiga suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras de 2026. © Foto / Divulgação / Polícia Federal

Diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues confirmou abertura de apuração sobre possível interferência norte-americana nas eleições de 2026.

A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A apuração foi iniciada após informações sobre um projeto do governo dos Estados Unidos chamado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". Segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Guardian, a iniciativa prevê cerca de R$ 5,2 milhões para grupos da sociedade civil que se opõem ao que classificam como abuso de poder judicial e censura por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

O projeto integra um conjunto de 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos EUA. Os documentos citados pelo The Guardian, porém, não identificam qual organização brasileira receberia os recursos. O ministro Alexandre de Moraes é mencionado no contexto do financiamento, segundo o jornal.

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou informações sobre a iniciativa após a publicação da reportagem. A PF passou a apurar se houve eventual interferência estrangeira no processo eleitoral.

A investigação motivou uma reação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de preparar uma narrativa para questionar o resultado das eleições. Segundo Eduardo, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia ser seguida por uma tentativa de anulação do resultado sob a justificativa de "interferência estrangeira".

"E isso está acontecendo mesmo sem dinheiro da USAID jorrando para o Brasil, sem o diretor da CIA e outros altos funcionários dos EUA virem ao Brasil para pressionar as autoridades brasileiras", escreveu Eduardo em seu perfil no X.

O ex-deputado também comparou a situação ao processo eleitoral de 2022 e afirmou que, naquela ocasião, teria havido apoio do governo do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, à candidatura de Lula.

Apesar da apuração aberta pela PF, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não há, até o momento, indicativos concretos de interferência internacional nas eleições.

"Até o momento, não temos um indicativo concreto de interferência internacional", afirmou o ministro durante entrevista coletiva na sede do TSE, em Brasília. Segundo Nunes Marques, nenhum relatório da PF, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ou de outro órgão apontou ameaças externas ou atuação do crime organizado contra o processo eleitoral.