Ministro Dario Durigan explica reajuste do Bolsa Família
Reajuste de 15% foi realizado para compensar a perda da inflação, afirma o ministro da Fazenda.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou sobre o compromisso do governo com o cenário fiscal e explicou o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado nesta semana. "Reajuste do Bolsa Família foi pela inflação, não foi real", disse ele em entrevista à CNN, gravada na sexta-feira, 18, durante o evento Fórum CEO Brasil 2026, realizado em Mata de São João (BA).
Durigan enfatizou que a prioridade fiscal do governo não se altera devido ao programa e reiterou que o aumento é para recompor o poder de compra. "Nosso compromisso é manter a trajetória de melhora das contas públicas", destacou, ressaltando que a correção do benefício acompanhou a inflação e não representa um aumento real de despesa.
O ministro também mencionou que o governo encontrou um volume maior de famílias assistidas do que o atualmente registrado, atribuindo essa diferença a uma revisão cadastral. "É um número menor do que a gente recebeu", afirmou, lembrando que, na transição de 2022 para 2023, o total chegou a 21,9 milhões de beneficiários, em meio a um cenário de desorganização nos registros.
Segundo Durigan, o pente-fino e o cruzamento de informações ajudaram a reduzir o número de beneficiários, ao mesmo tempo que incentivaram a formalização. "Quando a gente passa a organizar cadastros, cruzar informação mês a mês, as pessoas saem para o mercado de trabalho", disse, citando que 91% dos empregos gerados no ano passado vieram de pessoas que deixaram o Bolsa Família para ingressar no mercado formal.
Ele acrescentou que, com a atualização dos dados, o programa encerrou 2025 com 18,7 milhões de famílias, menor do que o pico observado na transição de governos. "Saímos de 22 milhões, fomos para 18,7", relatou, destacando que mais de 2 milhões de beneficiários deixaram o programa, em sua avaliação, devido à melhora na renda e inserção no emprego.
Durigan também comentou sobre a regulação das apostas online, afirmando que a Fazenda está trabalhando para endurecer a fiscalização sobre as chamadas bets. "A gente trabalha para endurecer (as bets)", declarou, defendendo regras mais rígidas de tributação, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção do consumidor, incluindo crianças e adolescentes.
Na entrevista, o ministro atribuiu a expansão do setor à falta de regulamentação nos últimos anos e disse que o governo atual está atuando para preencher esse vazio. "Você passou ali quatro anos, quatro anos e meio, com as bets podendo operar no Brasil, tendo autorização legal para funcionar no país, mas sem regra", observou, ressaltando que a equipe econômica busca abordar o tema para mitigar impactos como vício e problemas de saúde mental.