POLÍTICA

Zelenski se reúne com líderes regionais para discutir segurança e energia

Cúpula dos 'Oito dos Cárpatos' ocorre após ataques russos em várias regiões da Ucrânia.

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/09/2026 às 17:44
O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski © AP Photo / Carolyn Kaster

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, recebeu nesta sexta-feira, 18, líderes e representantes de sete países da região para discutir o aprofundamento da cooperação, um dia após ataques da Rússia em várias áreas do país provocarem incêndios e deixarem mortos e feridos, segundo autoridades ucranianas.

A primeira reunião do grupo chamado "Oito dos Cárpatos" reúne Ucrânia, Romênia, Sérvia, Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Áustria e Hungria, com participação também da União Europeia (UE).

O encontro ocorre num momento em que os esforços de mediação liderados pelos EUA para encerrar a invasão russa em larga escala estão travados, com a questão de concessões territoriais no leste ucraniano entre os principais impasses. A Ucrânia também busca garantias de segurança de parceiros para qualquer acordo.

A cúpula acontece em paralelo ao início de três dias de votação na Rússia para a primeira eleição parlamentar em tempo de guerra, praticamente sem oposição ao partido do presidente Vladimir Putin.

Zelenski afirmou no Telegram que a reunião é um "começo significativo" para fortalecer laços e criar um novo eixo de cooperação no nível da UE. Segundo ele, os participantes vão trabalhar em conjunto em temas como segurança, energia, logística, relações econômicas transfronteiriças e apoio a comunidades locais. Entre os presentes, Polônia e Romênia estão entre os apoiadores mais firmes de Kiev, enquanto Hungria, Sérvia e Eslováquia se recusam a fornecer ajuda militar direta à Ucrânia.

Ao comentar o pacote de financiamento fornecido pela UE, Volodimir Zelenski disse que a Ucrânia enfrentará um déficit orçamentário projetado de cerca de US$ 27 bilhões em 2026.

O encontro ocorre em meio à preocupação crescente na Europa com ameaças híbridas atribuídas à Rússia, como sabotagem, ciberataques e desinformação. O premiê polonês Donald Tusk disse na véspera que Moscou estaria planejando ataques híbridos com drones ou foguetes contra países europeus que apoiam a Ucrânia. Autoridades na Polônia, Alemanha e Dinamarca têm atribuído à Rússia episódios envolvendo incursões de drones, sabotagem, incêndios criminosos e vigilância de instalações de defesa.

Putin, contudo, voltou a negar intenções hostis contra a Europa, mas alertou que a Rússia responderá a ações que considere agressivas, como a apreensão de navios mercantes operados pelo país. Moscou é apontada como usuária de uma "frota sombra" para driblar sanções, e França e Reino Unido já detiveram petroleiros suspeitos. A Rússia começou a empregar navios de guerra para escoltar embarcações comerciais.

Ainda nesta sexta, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse ter convocado o encarregado de negócios britânico para protestar contra o aumento do fornecimento de drones e outros armamentos à Ucrânia, afirmando que instalações militares britânicas em território ucraniano usadas para atacar a Rússia seriam "alvos legítimos". O Reino Unido respondeu que seguirá ajudando a Ucrânia a se defender e classificou a medida russa como tentativa de desviar atenção da invasão.

No front militar, o Serviço de Emergência da Ucrânia informou que dois civis morreram e dois ficaram feridos em ataques noturnos na região de Zhytomyr, a oeste de Kiev, que causaram incêndios em armazéns e prédios industriais. Na região de Kharkiv, uma pessoa morreu e seis ficaram feridas após um ataque atingir uma estação ferroviária e incendiar dois vagões de um trem elétrico suburbano.

Do lado russo, a estatal Rosatom disse que um drone ucraniano atingiu uma torre de resfriamento na usina nuclear de Kursk, sem risco de radiação e sem impacto na operação. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter derrubado 629 drones ucranianos durante a noite, e o prefeito de Moscou disse que mais de 350 seguiam na direção da capital. A Rússia afirmou ainda ter atacado portos, embarcações e um centro logístico na Ucrânia, incluindo um navio cargueiro em Chornomorsk e uma instalação da Nova Poshta perto de Odesa.

Fonte: Associated Press.