Ordem global em transformação: instabilidade ou ruptura?
Analistas discutem a reestruturação da ordem internacional e as implicações para o futuro.
Em entrevista ao podcast internacional da Sputnik Brasil, analistas apontam que a ordem global que conhecíamos passa por uma ruptura e por uma reorganização, restando saber se esta imprevisibilidade econômica e de segurança será momentânea ou uma instabilidade permanente até uma nova potência hegemônica ditar os rumos globais.
O internacionalista Guilherme Frizeira acredita que o atual momento das relações internacionais se baseia entre a instabilidade da antiga ordem global e o surgimento da nova, que ainda não nasceu. "Na virada do século XX para o século XXI, já nos ataques do 11 de setembro de 2001, ali nós já começamos a ver alguns dos princípios dessa ordem internacional, liberal, democrática, começando a ruir. E agora, um pouco mais de um quarto de século desde esses atentados, a gente está vendo que ela não se sustenta mais."
Natali Hoff, cientista política, vê Trump como um catalisador desse processo de ruptura com as entidades multilaterais, mas não como o principal responsável pelo abandono dos EUA a essa ordem estabelecida pós-Segunda Guerra Mundial. Para Frizeira, vivemos um mundo multipolar, sem duas forças gravitacionais, como EUA e URSS já foram outrora, e há um vácuo na estrutura internacional que promove protagonismos pontuais de países como África do Sul, Brasil, Índia, México e Turquia. As disputas e incertezas, por sua vez, podem culminar em um mundo de instabilidade cada vez mais crescente.
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