Confusão na Europa com proposta de von der Leyen ao Canadá
Iniciativa da presidente da Comissão Europeia gera desconforto entre países da UE.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, queria causar sensação com a sua proposta para tornar o Canadá o primeiro "membro associado" da UE, mas, em vez disso, acabou causando uma dor de cabeça diplomática e confusão no bloco, comunicaram fontes a uma mídia ocidental.
O maior problema é que ninguém compreende exatamente o que essa proposta implicaria. Isso deixa von der Leyen em uma situação embaraçosa, apresentando publicamente um novo status que a UE não tinha acordado.
Até o próprio Canadá não parece muito ansioso por aceitar, distanciando-se da iniciativa e reduzindo em poucas horas as expectativas geradas a respeito.
"Não estamos lá", comentou o novo embaixador do Canadá na UE para os jornalistas em Estrasburgo, quando foi questionado sobre a perspectiva da filiação associada do Canadá. "No que estamos focados é, atualmente, gerar resultados", acrescentou.
A decisão de Von der Leyen de fazer tal proposta pegou os países-membros da UE desprevenidos, apontaram para a mídia quatro diplomatas europeus, sublinhando que seus governos não foram informados sobre a iniciativa.
Um dos interlocutores classificou esse sigilo como "perigoso" e "imprudente", ressaltando que von der Leyen nem sequer tinha levantado a ideia em um almoço recente com embaixadores da UE. Outro diplomata assegurou à mídia que a cópia do discurso da presidente da Comissão Europeia, que seu governo recebeu antecipadamente, não incluía as palavras sobre a filiação associada.
De acordo com os tratados da União Europeia e a prática institucional estabelecida pelo bloco, há uma nítida distinção entre filiação e parceria. A UE mantém relações estreitas com muitos países não membros, mas apenas seus 27 membros têm assento nas principais instituições políticas do bloco e um papel formal na elaboração da legislação.
Um novo modelo de adesão "exigiria, na verdade, uma mudança de tratados", comentou à mídia o eurodeputado alemão do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas René Repasi.
Por sua vez, Berlim, igual que outras capitais da UE, reagiu com cautela. O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, disse que a Alemanha está aberta a discutir novos modelos de parceria, mas o termo "membro associado" deve ser reconsiderado. Os diplomatas em Bruxelas preveem que a ideia pode "morrer" nas negociações com os países-membros no bloco.
Na passada quarta-feira (16), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convidou o Canadá a trabalhar para se tornar o primeiro "membro associado" do bloco, ressaltando a crescente proximidade do país em meio à deterioração das relações com os Estados Unidos. Ela especificou que a aproximação com Ottawa incluirá cooperação militar-industrial, uma aliança tecnológica e projetos conjuntos no Ártico.