Restos mortais de Nancy Tucker, última vítima do furacão Helene, são encontrados no Tennessee
A identificação foi feita após dois anos de buscas difíceis nas montanhas do Apalache.
Os restos mortais da última vítima desaparecida do furacão Helene, nos Estados Unidos, foram encontrados dois anos após a devastação das cidades nas montanhas dos Apalaches, que sofreram com enchentes que arrasaram comunidades inteiras.
Nancy Tucker, de 76 anos, desapareceu junto com seu marido, Jimmy Tucker, quando as enchentes do rio Nolichucky levaram sua casa na zona rural do condado de Washington, no extremo nordeste do Tennessee, em 27 de setembro de 2024.
O corpo dele foi recuperado em poucos dias, mas o dela permanecia desaparecido até sábado, 12, conforme informou Susan Saylor, porta-voz do Departamento do Xerife do Condado de Washington. O filho do casal também morava na casa, mas estava no trabalho no momento da enchente, detalhou Saylor.
"A promessa de trazer Nancy para casa agora é realidade, e agora trabalhamos para nos recuperar, comemorar e, finalmente, poder levá-la para casa e dar-lhe um descanso digno ao lado de seu marido, Jim", escreveu a porta-voz da família, Risa Buck, em um comunicado fornecido à Associated Press por James Matthews, do Serviço Médico de Emergência do Condado de Washington-Johnson City.
O furacão Helene causou a morte de mais de 250 pessoas e prejuízos que ultrapassaram quase US$ 80 bilhões, atingindo desde a Flórida até as Carolinas. Nas montanhas na fronteira entre a Carolina do Norte e o Tennessee, chuvas de até 76 centímetros transformaram riachos normalmente tranquilos em torrentes que arrastaram árvores, pedras, casas e veículos, quebrando recordes centenários de enchentes.
Muitas das vítimas foram levadas pela correnteza. Na Carolina do Norte, o corpo de Alena Ayers nunca foi encontrado. Seu caso motivou a Assembleia Legislativa da Carolina do Norte, no ano passado, a aprovar a Lei de Alena, que facilita a declaração de óbito de uma pessoa desaparecida durante um desastre natural.
No Tennessee, nos últimos 20 anos, as equipes de socorro restringiram a busca por Nancy Tucker a uma área da Floresta Nacional Cherokee chamada Jackson Island.
No entanto, as equipes enfrentaram obstáculos tanto físicos quanto burocráticos. Matthews informou que, desde fevereiro, as equipes de busca percorreram mais de 644 quilômetros a pé pela área, mas não conseguiram explorar as pilhas de escombros.
Algumas chegavam a 12 metros de altura em alguns pontos e estavam repletas de objetos como carros e tanques de propano, além de árvores e pedras.
Como a área era terra federal e acreditava-se que contivesse cemitérios indígenas, as equipes de resgate locais não tinham permissão para usar o equipamento pesado necessário para remover os escombros, contou Saylor. Elas precisaram aguardar uma ação do governo federal, que só concedeu um contrato para o trabalho de remoção neste verão.
"No sábado, recebi a ligação pela qual esperava há dois anos - apenas quatro dias após o início da operação", disse Matthews. Os restos mortais de Nancy Tucker foram encontrados no sábado, mas a remoção se estendeu até a noite de domingo. Matthews fez parte do grupo que estava no local no domingo.
"No momento em que encontramos uma indicação clara de que se tratava da Sra. Tucker, todos que estavam no local - paramos. Choramos. Todos nós choramos. E rezamos", relatou ele. A identificação final e definitiva foi confirmada por um médico legista na tarde de segunda-feira, 14.
Um obituário de Jimmy Tucker, publicado em 2024, descrevia que ele e Nancy se conheceram enquanto serviam no Exército dos EUA e foram casados por 44 anos.
Quando questionada sobre por que as equipes de resgate nunca desistiram da busca, Saylor mencionou que o xerife do condado de Washington, Keith Sexton, havia prometido recuperar todas as pessoas desaparecidas após a tempestade.
"Por que você não iria querer entregar à família, que já havia perdido um pai, o que pudesse ser entregue?", indagou Saylor. "Nunca houve dúvida de que iríamos parar."