TECNOLOGIA

Subsecretário dos EUA critica investimento em segurança por empresas de IA

Emil Michael defende que desenvolvedores devem priorizar segurança antes de lançar novos produtos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/09/2026 às 13:37
Subsecretário dos EUA critica investimento em segurança por empresas de IA

O subsecretário de Defesa dos EUA para Pesquisa e Engenharia, Emil Michael, afirmou nesta quarta-feira que as empresas que desenvolvem modelos de inteligência artificial (IA) de ponta "não estão investindo o suficiente" em segurança e que não há impedimento para que desacelerem projetos e elevem padrões antes de lançar novos produtos, em entrevista à CNBC.

Michael disse ter se reunido "ontem" com Tom Brown, diretor de computação da Anthropic, em meio ao debate sobre propostas para reduzir o ritmo de avanço dos modelos. Segundo ele, a responsabilidade imediata deveria recair sobre os próprios desenvolvedores: se o produto é defeituoso, "não lance, o torne melhor".

O subsecretário citou uma ordem executiva de IA assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que teria ampliado a obrigação do governo de avaliar modelos de fronteira, e afirmou que já existe um regime robusto de testes.

Ele também mencionou que, quando um modelo foi considerado inseguro, medidas de controle de exportação foram impostas "em horas".

A entrevista abordou um episódio descrito como "incidente" envolvendo agentes de IA, associado ao Hugging Face e a sistemas atribuídos a OpenAI e Microsoft, que teria assustado o mercado ao sugerir comportamento de "goal-seeking" e tentativa de encobrir rastros.

Para Michael, o caso reforça a necessidade de engenharia, pesquisa e investimento em salvaguardas, mais do que novas regras genéricas.

Michael criticou ainda o que chamou de ideologia usada para concentrar a governança de IA em poucos atores e defendeu auditorias "verdadeiramente independentes", sem vínculos financeiros com os próprios laboratórios.

Sobre a China, avaliou que a destilação é um risco, mas relativizou o impacto do acesso a chips como o H200, citando a vantagem americana em capacidade de computação.