ARTE

Esculturas da Idade do Gelo mostram uso de marfim de mamute

Análise de estatuetas em Mizyn revela técnicas únicas dos artistas do Paleolítico.

Por Sputnik Brasil Publicado em 16/09/2026 às 11:07
Estatuetas de mamute da Idade do Gelo com padrões naturais em suas esculturas. CC BY 2.0 / Tyler Ingram /

Uma análise de 18 estatuetas femininas do sítio de Mizyn, no norte da Ucrânia, revela como artistas da Idade do Gelo usavam marfim de mamute em seus trabalhos, informou a revista Archaeology News.

A publicação detalha que os escultores estudaram o material de perto e, então, construíram partes de seus desenhos gravados em torno das linhas naturais dentro das presas.

"As estatuetas têm cerca de 18 mil anos. Elas pertencem a um grupo frequentemente chamado de 'Vênus', que consiste em representações humanas femininas em diferentes estilos [...]. O novo estudo concentra-se em como as figuras foram feitas e como o próprio marfim moldou seus contornos", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, a equipe examinou as superfícies das 18 peças usando microscopia, modelos digitais 3D e outros registros. O trabalho revelou uma ligação entre os padrões naturais no marfim de mamute e os desenhos geométricos.

As presas de mamute têm padrões de crescimento conhecidos como linhas de Schreger e Owen. Essas linhas se formam à medida que a presa cresce e criam estruturas visíveis dentro do marfim. Os pesquisadores descobriram que esses padrões se repetem nos desenhos gravados em muitas das estatuetas de Mizyn.

A descoberta sugere que os artistas prestaram muita atenção à estrutura de cada presa e usaram seus padrões naturais ao planejar seu trabalho. O material em si passou a fazer parte do design visual, observa o texto.

O estudo aponta uma mudança na arte paleolítica europeia durante o último máximo glacial, quando as estatuetas humanas se tornaram menos comuns, com uma lacuna de 1.000 a 3.000 anos na produção dessas figuras.

Acrescenta-se que a fabricação de estatuetas retornou há cerca de 18 mil anos, com os exemplos de Mizyn entre as primeiras imagens antropomórficas conhecidas na Europa. Seu estilo também é distinto das tradições posteriores na Europa Ocidental.

Os pesquisadores não encontraram uso semelhante de padrões internos de marfim de mamute nas figuras posteriores da Europa Ocidental, apontando para o desenvolvimento artístico separado da Europa Oriental, conclui a reportagem.