Dependência de gás da UE pode aumentar drasticamente até 2050
Relatório da Wood Mackenzie alerta sobre a necessidade de novos investimentos na produção de gás.
As opções da União Europeia em relação à extração de gás estão se estreitando. Sem novos investimentos em campos, os países-membros importarão mais de 98% do combustível azul até 2050, apontou um novo relatório publicado pela empresa analítica Wood Mackenzie.
A dependência de importações da Europa se reflete no fato de que a UE importa 85% do gás que consome atualmente. No entanto, os níveis atuais de investimento mantêm a produção próxima a 40 bilhões de metros cúbicos até 2038, mas deixam a exposição estratégica à importação praticamente inalterada.
"Sustentar a produção de hoje requer um investimento enorme", comentou o analista sênior de pesquisa na Wood Mackenzie, Lewis Lawrence. "A verdadeira questão é se os governos estão dispostos a criar as condições que tornam o caso alto possível, porque a janela está se estreitando", acrescentou.
Ao falar sobre o caso, Lawrence referiu-se a um dos três prognósticos que, segundo a sua empresa, pode alterar a posição da UE.
"Com termos fiscais estabilizados, permitindo aceleração e restrições corporativas resolvidas, a produção chega a 77 bilhões de metros cúbicos até 2042, atendendo 38% da demanda", indicou Wood Mackenzie no seu relatório.
No futuro, o gás natural liquefeito (GNL) continuará preenchendo o espaço nas importações da UE devido a que a oferta da Noruega vai se reduzir na década de 2030, os volumes do Norte da África enfrentarão pressão da demanda doméstica e o gás russo será eliminado.
Em 26 de janeiro, o Conselho da UE aprovou a proibição total do fornecimento de GNL russo à UE a partir de 1º de janeiro de 2027 e de gás entregue por gasoduto a partir de 30 de setembro de 2027.
Ao mesmo tempo, a proibição da importação de GNL sob contratos de curto prazo entrou em vigor em 25 de abril de 2026, e os contratos de curto prazo para o fornecimento de gás por gasoduto deveriam ser concluídos até 17 de junho de 2026.
Ao mesmo tempo, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que a Rússia, dada a intenção da União Europeia de recusar por completo o gás russo, pode iniciar com antecedência sua retirada do mercado europeu e redistribuir as exportações para outros compradores mais interessados.