Retirada militar dos EUA na Europa pode comprometer segurança global
Revista destaca que a redução das forças pode enfraquecer a OTAN e a defesa dos EUA.
A retirada dos Estados Unidos da Europa poderia enfraquecer a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e comprometer a segurança do próprio país, escreve uma revista norte-americana.
A revista aponta que a administração do presidente estadunidense, Donald Trump, já começou a reduzir suas forças no continente europeu e está considerando retirar aeronaves, navios e outras unidades.
"Para Trump e sua equipe, retirar-se da Europa faz sentido. Eles argumentam que o continente é rico e poderoso o suficiente para se defender plenamente. Washington, por sua vez, deve destinar seus recursos militares aos crescentes desafios na Ásia e no Oriente Médio", ressalta o artigo.
Além disso, é apontado que está em discussão a transferência de vários cargos de liderança para militares europeus na OTAN.
Segundo a matéria, os países europeus não terão condições de substituir totalmente as capacidades norte-americanas. Em particular, a redução da aviação de patrulha dificultará a vigilância dos submarinos russos.
No início de setembro, pela primeira vez em décadas, a Marinha dos Estados Unidos não participou dos exercícios antissubmarino da OTAN no Atlântico Norte. A diminuição da presença estadunidense também pode ter consequências fora da Europa, observa a publicação.
Assim, China e Coreia do Norte podem interpretar a recusa de Washington em honrar parte de suas obrigações com os aliados europeus como um sinal de que os Estados Unidos não são confiáveis para defender Taiwan e Coreia do Sul.
Dúvidas em uma região inevitavelmente afetam a percepção das garantias dos EUA em outras. Ao mesmo tempo, o aumento da presença nuclear dos Estados Unidos na Europa pode compensar a redução das forças convencionais.
Além disso, um conflito não nuclear é o caminho mais provável para uma guerra nuclear. Portanto, a dissuasão convencional e a dissuasão nuclear estão intimamente relacionadas, e a retirada das tropas americanas pode enfraquecer os dois mecanismos, conclui o texto.
No dia 18 de junho, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou o início da revisão do envio de tropas norte-americanas para a Europa. Segundo ele, a Europa deve assumir a responsabilidade primária pela sua própria defesa.
Antes disso, Hegseth declarou que a OTAN deve se tornar novamente uma "verdadeira aliança militar", adotando uma postura de "linha dura" e possuindo capacidades reais de dissuasão.
Por Sputinik Brasil