POLÍTICA

Lula propõe reforma do Judiciário e mudanças nas indicações do STF

Presidente destaca a necessidade de moralização no Poder Judiciário e critica ausência de ministros em votação.

Por Sputnik Brasil Publicado em 15/09/2026 às 21:14
Lula defende reforma do Judiciário e mudanças nas indicações do STF em sabatina. © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta terça-feira (15) uma reforma ampla do Judiciário, incluindo uma mudança no sistema de indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante sabatina na Record, Lula declarou que foi o primeiro presidente do Brasil a promover uma reforma do Judiciário, durante seu primeiro mandato. Na visão do candidato, que busca sua quarta vitória pela cadeira presidencial, mudanças profundas no STF, incluindo o sistema de indicação, são necessárias. Para o petista, juízes e ministros também não podem buscar a riqueza por meio da profissão.

"Quem for ministro ou quem estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico. Não pode querer ficar rico. A pessoa não pode estar no Poder Judiciário e um filho advogando, uma mulher advogando, um pai advogando, ou seja, na própria Suprema Corte. É preciso criar critério de moralização no Poder Judiciário brasileiro."

Lula ressalta que o STF deve ser "um exemplo magnânimo desse país" e que "ninguém pode ficar sob suspeita" aos olhos da população. O presidente também pediu justificativas dos ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, que se colocaram como inaptos a votar na discussão que avalia juntar as ações das condutas de Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na relatoria do caso Master.

"Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava para ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade também. Quem estava? Por que o Toffoli não votou? Por que Kassio não votou? Sabe? Quem está? Quem é que levou dinheiro? Quem é que participou dessa trama?"

Traficantes são terroristas

Questionado sobre a classificação imposta pelos Estados Unidos ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), reconhecidos por Washington como organizações terroristas, Lula declarou que considera seus integrantes como terroristas, mas não o tipo de terrorista que o presidente Donald Trump pensa que são.

"Não é verdade que eu não chamo de terrorista, não confunda. Chamo de terrorista para o povo brasileiro, não é o terrorista que o Trump fala, porque o Trump fala em terrorismo de Estado. Uma coisa é o terrorismo de Estado, aquele cara que quer derrubar governo, que quer assumir [o poder]. Outra coisa é o terrorismo do narcotráfico, do crime organizado, que só quer dinheiro. E são terroristas para a população, porque eles ocupam o bairro que é do povo, a rua que é do povo, a vila que é do povo. E isso a gente vai acabar."

Lula também divulgou que viajará ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (18) para anunciar uma experiência no campo da segurança pública ao lado do governo fluminense e da prefeitura da capital. No entanto, para uma ação mais enfática do governo federal, Lula defende ser necessária a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.

"O dia que aprovar a PEC da Segurança, está criado o Ministério da Segurança Pública. E aí o meu pessoal do Tesouro, o ministro da Fazenda, vai ter que se preparar, porque, para fazer a segurança pública, vai ter que dobrar o efetivo da Polícia Federal, vai ter que investir mais em inteligência, vai ter que dobrar o lucro da Polícia Rodoviária Federal."