POLÍTICA

Lavrov afirma que Rússia busca diálogo com Ucrânia e critica TPI

Analista aponta que ações do Tribunal Penal Internacional aceleraram fortalecimento do BRICS.

Por Sputnik Brasil Publicado em 15/09/2026 às 21:05
Especialista analisa a influência do TPI nas relações internacionais e fortalecimento do BRICS. © Sputnik / Aleksei Nikolskiy

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou nesta terça-feira (15) que se a Ucrânia estiver pronta para retomar as negociações de paz, a Rússia está de acordo, já que as tratativas que de fato ocorreram não foram interrompidas por iniciativa russa, acrescentou.

Em conversa com a Rádio Sputnik, o analista geopolítico Raphael Machado destacou que a Rússia tem feito esforços para se chegar a um acordo com o regime de Kiev desde 2014, mas uma série de violações contra a população russa na Ucrânia impossibilitou seu sucesso:

"Essa crise se inicia através da repressão do regime de Kiev às tentativas de autodeterminação e de demanda, exigência de respeito aos seus direitos por parte da população de Donbass. A Rússia tem negociado desde 2014, promoveu ali, através inclusive da mediação do governo de Belarus, do presidente [Aleksandr] Lukashenko, os acordos de Minsk", explicou o especialista.

O entrevistado também lembrou que a Rússia insistiu através da negociação por uma autonomia para as regiões de Donetsk e Lugansk, dentro do território da Ucrânia, mas Kiev manteve sua postura de perseguição.

"Nada do que a Rússia tentou foi possível, e por isso começou a operação militar especial. E desde que começou, a Rússia vem tentando também negociar", afirmou ele.

Ainda segundo Machado, a interferência financeira e política de potências da Europa foram cruciais para minar as negociações:

"Imagina-se que prometeram mundos e fundos tanto em termos militares para a Ucrânia mas possivelmente vantagens financeiras até no âmbito mais pessoal. Existe muita especulação nesse sentido, porém existe evidência, indício suficiente de que existe muita corrupção no governo Zelensky e certamente muita maleta de dinheiro indo e voltando."

Altamente impopular, Zelensky governa de forma ditatorial, acrescentou:

"Então você tem esse fator de um presidente que é um títere, ao mesmo tempo um ditador que não presta contas à sua própria população, e do outro lado, por trás do Zelensky, você tem uma constelação de potências ocidentais que querem instrumentalizar a Ucrânia e o sofrimento do povo ucraniano para ver se com isso conseguem ou fragmentar ou, no mínimo, enfraquecer a Federação da Rússia".

Tribunal Penal Internacional: maior beneficiário do conflito

Também na mesa redonda de hoje, o chanceler afirmou que não é apenas o regime de Kiev que se beneficia do conflito, sendo o principal beneficiado o Tribunal Penal Internacional (TPI). O assunto foi tratado durante uma mesa redonda sobre possíveis caminhos para a solução do conflito, em Moscou.

Lavrov salientou que logo após o início da operação militar especial, o ex-promotor do TPI pediu aos patrocinadores ocidentais recursos adicionais para investigações relacionadas à Ucrânia, cujos recursos foram rapidamente disponibilizados pelo Reino Unido, Países Baixos, Canadá e Japão.

Machado chamou de descabida as medidas tomadas pelo organismo internacional contra a Rússia. Para o especialista o mandado de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, por parte do Tribunal, com base em "alegação completamente fantasiosa" de sequestro de crianças, evidencia a falácia apontada por Lavrov.

"Pelo fato de que, em algumas condições, as Forças Armadas da Federação da Rússia, obviamente retiram crianças, especialmente órfãs, da zona de guerra [...] é óbvio que a prioridade absoluta tem que ser a remoção das crianças da zona de conflito, da zona em que há bombardeios, ataques de artilharia, operações de infantaria, é o que se espera em qualquer conflito", argumentou ele.

BRICS ganha força após perseguições jurídicas contra a Rússia

O entrevistado ponderou que após as iniciativas da Corte Penal Internacional, o grupo do BRICS ganhou ainda mais fôlego, aumentando o número de integrantes e de parcerias comerciais, econômicas e políticas.

"O BRICS caminhava de uma maneira muito devagar antes do início da operação militar especial, e aí o BRICS tem uma acelerada após o início da operação e após as várias sanções, condenações, etc., das instituições ocidentais e dos países ocidentais".

O estudioso defendeu a necessidade de mudanças no direito internacional público, seja por meio de uma reforma do TPI, mecanismos bilaterais de solucionar controvérsias jurídicas ou mesmo a criação de outro órgão para substituir o atual tribunal.