ECONOMIA

Dólar avança moderadamente em meio a incertezas

A moeda norte-americana sobe à espera de decisões do Fed e Copom, enquanto o petróleo pesa na inflação.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/09/2026 às 17:49
Reprodução

Após oscilações pela manhã, o dólar registrou leve alta à tarde em relação ao real, acompanhado pelo desempenho da moeda no exterior. As cotações do petróleo ganharam força, com o Brent se aproximando de US$ 110, aumentando os riscos inflacionários na véspera da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

A troca de críticas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma sessão que avalia possíveis investigações contra o ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, foi observada de perto pelos investidores e gerou desconforto, embora não tenha sido determinante para a formação da taxa de câmbio.

“O mercado está em compasso de espera porque ainda há muitas dúvidas sobre qual vai ser o desfecho da reunião do STF, que pode se refletir nos preços dos ativos se tiver impacto nas expectativas para a eleição”, afirma o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno.

Depois de oscilar entre mínima de R$ 5,1270 e máxima de R$ 5,1626, o dólar à vista fechou a terça-feira em alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1551. A moeda norte-americana subiu 0,58% em relação ao real nos dois primeiros pregões desta semana, mas acumula queda de 0,48% em setembro, após uma valorização de 2,16% em agosto. No ano, a desvalorização chega a 6,08%.

A sessão plenária do STF sobre Moraes foi marcada por atritos entre os ministros. O decano da Corte, Gilmar Mendes, acusou André Mendonça de buscar motivações políticas ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro. Mendonça rebatiou e afirmou que Gilmar estava “sendo leviano”. Os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos de avaliar o caso.

Rostagno destaca que a crise no STF, especialmente as acusações contra Moraes, parece ter beneficiado a candidatura de Flávio Bolsonaro, proporcionando um espaço para a recuperação do real em setembro depois da queda de agosto. A oposição é vista pelos investidores como mais propensa a implementar um ajuste fiscal robusto.

“As últimas pesquisas mostraram que Flávio está em um momento positivo, o que ajudou o real. Além disso, a alta do petróleo, embora gere preocupações com a inflação, beneficia os termos de troca, ajudando a manter a moeda estável apesar do aumento na percepção de risco”, afirma o estrategista-chefe da EPS.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,26% por volta das 17h, alcançando 99,637 pontos, após ter registrado uma máxima de 99,687 pontos. O Dollar Index sobe 0,55% na semana, impulsionado por um novo aumento nos preços do petróleo, com o Brent acumulando quase 20% de valorização no mês.

O cenário para a “superquarta” - uma alta de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Fed e um novo corte de 0,25 ponto na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) - é, em teoria, negativo para o real, pois reduz o chamado diferencial de juros e, consequentemente, a atratividade do carry trade.

“Com a expectativa de um menor diferencial entre juros locais e externos ao longo de 2026 e uma eventual recuperação do dólar globalmente em um cenário fiscal doméstico frágil em um ano eleitoral, prevemos que o dólar finalize o ano a R$ 5,35”, afirma o economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, Mauricio Une, em relatório.

Pela manhã, o Banco Central realizou um novo “casadão”, com a venda de US$ 1 bilhão em moeda à vista e compra de US$ 1 bilhão em dólar futuro por meio da oferta de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos. A operação não tem influência direta na taxa de câmbio, mas tende a reduzir a pressão no cupom cambial (taxa de juros em dólar).

Operadores ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) não descartam a possibilidade de novas intervenções do BC para fornecer liquidez, dado que os sinais ainda indicam pressão por saída de divisas. “Combinar a redução do estoque de swap tradicional com a venda no spot é admitir que o problema está no câmbio à vista, e não no mercado futuro”, afirma um gestor de recursos que preferiu o anonimato.