ECONOMIA

Canadá busca fortalecimento na guerra comercial com EUA, afirma Carney

Primeiro-ministro destaca a importância de boas condições para fechar acordos com Washington.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/09/2026 às 15:33
Adrian Wyld/The Canadian Press via AP

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta terça-feira, 15, que o país pretende sair da guerra comercial com os Estados Unidos como uma economia mais resiliente e independente, sinalizando que Ottawa está disposta a esperar pelas "condições certas" em vez de fechar rapidamente um acordo com Washington.

Falando a centenas de investidores globais reunidos em Toronto no Canada Investment Summit, Carney disse que Canadá e EUA "sempre serão vizinhos", mas que a relação funciona quando ambos atuam como "verdadeiros parceiros" que respeitam tradições e soberania. "Quando essas oportunidades voltarem, o Canadá será um parceiro ainda melhor - mais forte, mais resiliente, mais independente", afirmou.

Carney também anunciou que o governo buscará investimento privado por meio de concessões de longo prazo para operar os quatro maiores aeroportos do país, mantendo a propriedade pública da terra e dos ativos. Segundo ele, a iniciativa pode levantar dezenas de bilhões de dólares para reinvestimento em transporte e outras obras de infraestrutura.

Sem citar diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, Carney criticou a visão mais transacional e de "soma zero" nas relações econômicas internacionais, marca das políticas tarifárias americanas. Disse que a reputação do Canadá como parceiro "confiável e previsível" se torna ainda mais valiosa em um ambiente em que "transações substituem relações" e o "soma zero" prevalece sobre acordos de ganho mútuo.

Ele argumentou ainda que integração econômica e soberania nacional estão cada vez mais em tensão e que países que querem preservar sua independência precisam cooperar com parceiros alinhados. Carney viaja para a Europa ainda nesta terça e deve discursar no Parlamento Europeu.

Trump tem usado tarifas para pressionar parceiros e incentivar empresas a transferirem produção e investimentos para os EUA, além de ter mencionado repetidamente a ideia de tornar o Canadá o 51º estado americano, o que elevou a tensão bilateral. Carney observou, porém, que cerca de 80% do comércio com os EUA segue livre de tarifas e disse que "há um arranjo mutuamente benéfico possível" - e que o Canadá estará pronto quando chegar o momento certo.

Carney ainda ironizou o clima entre os países ao relatar uma conversa sobre chaves cerimoniais, encerrando: "No Canadá, você ganha a chave. Nos EUA, talvez atirem em você". Fonte: Associated Press.