SUSTENTABILIDADE

Energia limpa e cabos submarinos colocam Nordeste na disputa por novos data centers, afirma ministro das Comunicações

Em Fortaleza, Frederico de Siqueira Filho destacou vantagem competitiva da região para atrair infraestrutura digital e investimentos em inteligência

Por Ascom MCom Publicado em 15/09/2026 às 14:30
Energia limpa e cabos submarinos colocam Nordeste na disputa por novos data centers, afirma ministro das Comunicações André Zimmerman/MCom

O Nordeste reúne dois dos principais ingredientes para se transformar em um dos grandes polos de infraestrutura digital do mundo: energia renovável em abundância e conectividade internacional de alta capacidade. A avaliação é do ministro das Comunicações, durante participação, nesta terça-feira (15), do evento Transição Energética: O Nordeste como hub digital do futuro, realizado em Fortaleza (CE).
 

Para o ministro, a combinação coloca a região em posição privilegiada na disputa global por investimentos em data centers, estruturas consideradas estratégicas para o avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais.
 

“Quando uma grande empresa de tecnologia decide onde instalar um data center, ela olha para três coisas: energia, conectividade e segurança jurídica. O Nordeste tem as duas primeiras de forma natural, e o Brasil está construindo a terceira”, afirmou o ministro.
 

O cenário energético é um dos principais diferenciais. Enquanto 86,8% da matriz elétrica brasileira é renovável, o Nordeste concentra mais de 90% da energia eólica produzida no país e 52% dos projetos de geração solar fotovoltaica centralizada.
 

A disponibilidade de energia renovável ganha ainda mais relevância diante da demanda crescente dos data centers. Segundo o ministro, a energia é um dos principais custos de operação dessas estruturas, o que torna a proximidade com grandes fontes de geração um diferencial para a atração de investimentos.
 

“Energia limpa e conectividade internacional no mesmo lugar é uma combinação que poucas regiões do mundo conseguem oferecer. O Nordeste tem as duas, e o Governo Federal está trabalhando para que o país aproveite essa vantagem”, destacou.
 

Fortaleza concentra nove cabos submarinos
 

Além da matriz energética, a posição geográfica do Nordeste fortalece a competitividade da região. O Brasil possui atualmente 16 sistemas de cabos submarinos com presença no país, dos quais nove aterrissam em Fortaleza.
 

A capital cearense é uma das principais portas de entrada e saída de dados do país para o tráfego internacional. Cerca de 90% do tráfego internacional brasileiro passa pela cidade, aproximando fisicamente a infraestrutura digital brasileira dos grandes mercados dos Estados Unidos, Europa e África.
 

Para o ministro, essa infraestrutura cria uma combinação estratégica para a instalação de grandes centros de processamento de dados.
 

“Um data center instalado em Fortaleza está a poucos milissegundos dos Estados Unidos, da Europa e da África, com mais rotas e mais redundância do que em qualquer outro ponto da costa. Isso é uma vantagem competitiva enorme para o Ceará e para o Nordeste”, disse.
 

Outro ponto destacado pelo ministro é a possibilidade de os data centers ajudarem a aproveitar parte da energia renovável que atualmente deixa de ser gerada em determinados momentos por limitações de demanda ou transmissão.
 

Entre janeiro e abril de 2026, o Nordeste registrou 2.233 MW médios de curtailment, termo utilizado para designar a redução ou interrupção da geração de energia renovável que poderia ser produzida, mas não é aproveitada naquele momento.
 

A expansão da infraestrutura digital próxima aos grandes centros de geração pode contribuir para aumentar o aproveitamento dessa energia, segundo o ministro.
 

“O data center não é um problema para o sistema elétrico do Nordeste. Ele pode ser parte da solução, dando destino a uma energia que já está disponível”, afirmou.
 

O ministro ressaltou ainda que a intermitência característica das fontes solar e eólica não significa falta de segurança para os data centers. O fornecimento é integrado ao Sistema Interligado Nacional, que combina diferentes fontes de geração, enquanto baterias e outras tecnologias de armazenamento ampliam as possibilidades de gerenciamento da demanda.
 

Redata cria ambiente para novos investimentos
 

Durante o evento, o ministro também destacou o papel do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) na criação de um ambiente mais previsível para novos investimentos no país.
 

O regime prevê incentivos tributários para equipamentos e infraestrutura de tecnologia e estabelece mecanismos para estimular a instalação de data centers nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
 

“O que o investidor mais pede é previsibilidade. O Redata cria um marco legal mais claro e dá condições para que o Brasil dispute investimentos que hoje poderiam ir para outros países”, afirmou o ministro.
 

A política também busca reduzir a concentração da infraestrutura digital no Sudeste e estimular novos polos em outras regiões do país.
 

Ceará está na frente
 

O Ceará aparece como um dos principais exemplos dessa estratégia. Fortaleza recebeu, em janeiro deste ano, o primeiro financiamento com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) destinado a um data center no país: R$ 233 milhões para a expansão do Mega Lobster.
 

O empreendimento deverá chegar a 20 MW de capacidade até 2029 e tem previsão de gerar cerca de 400 empregos.
 

O estado também abriga, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, um dos maiores projetos de data center em desenvolvimento na América Latina, reforçando a posição do Ceará na nova economia digital.
 

Para o ministro, o objetivo é fazer com que a experiência do Ceará seja replicada em outros estados nordestinos.
 

“O Pecém é uma referência, e o que o Ceará construiu ali serve de modelo para toda a região. O que o Governo Federal quer é que esse modelo se repita”, afirmou.
 

A expansão dos data centers ganha importância ainda maior com o crescimento da inteligência artificial, que exige capacidade cada vez maior de processamento e armazenamento de dados.
 

Estudo da Fundação Getulio Vargas citado pelo ministro estima que um único data center voltado à inteligência artificial poderia mobilizar cerca de R$ 25 bilhões em investimentos, gerar aproximadamente 12,5 mil empregos durante a implantação e cerca de 1.860 postos permanentes.
 

Além dos empregos diretos, os investimentos movimentam setores como construção civil, energia, telecomunicações, serviços especializados e formação de profissionais.
 

“A tendência mundial é de uma infraestrutura digital mais distribuída, com processamento mais perto de onde está a energia e mais perto de quem utiliza os serviços. O Nordeste é um candidato natural para receber essa nova camada da economia digital”, concluiu o ministro.
 

A estratégia do Governo Federal é combinar energia renovável, conectividade internacional, financiamento, incentivos e segurança jurídica para criar condições para que novos projetos de infraestrutura digital sejam instalados no Nordeste.
 

“Os fundamentos estão espalhados por vários estados. O governo trabalha para que a infraestrutura digital chegue de forma distribuída, aproveitando a vantagem de cada estado. O Nordeste tem tudo para ser um dos grandes hubs digitais do futuro”, afirmou.