ECONOMIA

Ministro Durigan critica altas taxas de juros no Brasil

Dario Durigan destaca a necessidade de reduzir a Selic e cita comparações com o México.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/09/2026 às 13:46
O ministro da Fazenda, Dario Durigan Reprodução / Agência Brasil

Mesmo reconhecendo que o quadro fiscal influencia a taxa de juros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil não pode continuar com a maior taxa do mundo. A declaração foi dada em entrevista à revista piauí, concedida no dia 26 de agosto e divulgada nesta terça-feira, 15, coincidentemente no dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou a primeira etapa da reunião que irá decidir sobre a Selic.

Uma pesquisa da Projeções Broadcast divulgada na sexta-feira, 11, aponta que a ampla maioria das instituições do mercado financeiro prevê um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, reduzindo-a de 14,00% ao ano para 13,75%. Entre as 78 casas consultadas, 75 esperam essa redução, enquanto três instituições estimam que a taxa será mantida no nível atual.

"O debate não pode se limitar à ideia de que os juros estão altos apenas porque o governo gasta muito. Reconheço que o quadro fiscal influencia a taxa, mas ele não explica tudo. Se ficarmos presos a esse argumento, só teremos juros baixos quando o Estado definhar, o que não é viável", sustentou Durigan à revista. "Precisamos encontrar um equilíbrio que preserve o papel do Estado e permita a redução dos juros. O Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo."

Ele citou como exemplo o méxico, que, segundo ele, tem grau de investimento, não possui uma situação orçamentária muito melhor que a brasileira e, ainda assim, pratica juros bem menores, de 6,5%.

Para o titular da Fazenda, o patamar dos juros brasileiros se deve a várias razões. Ele argumentou que no Brasil a negociação de títulos públicos é mais concentrada em poucos bancos. Além disso, há um componente histórico e cultural: o brasileiro se acostumou aos juros altos e valoriza a remuneração elevada oferecida por aplicações como CDB, renda fixa, poupança e títulos do Tesouro. Em outros países, esses investimentos costumam render bem menos.

Adicionalmente, Durigan apontou que muitos produtos financeiros brasileiros estão atrelados a taxas elevadas, enquanto o mercado de capitais e a bolsa permanecem concentrados, oferecendo poucas opções e acesso pouco democratizado ao crédito. O ministro também mencionou a falta de credibilidade fiscal de longo prazo, com dúvidas sobre a capacidade do Brasil de manter o orçamento equilibrado, evitar aventuras econômicas e estabilizar a dívida nos próximos anos.

Na entrevista, Durigan também comentou as reações negativas do mercado financeiro a um possível novo governo Lula (PT). "Na prática, os resultados entregues pelo presidente são muito diferentes dos temores anunciados", defendeu. "Em seus oito anos de governo - Lula 1 e Lula 2 - ele gerou superávit, acumulou reservas internacionais, manteve a inflação sob controle e promoveu um crescimento expressivo, com participação de todos. O mercado financeiro lucrou muito, e o agronegócio também cresceu."

Ele acrescentou: "Sob a perspectiva da Fazenda, fizemos e aprovamos muita coisa no Congresso. Digo ao próprio mercado que eu gostaria de ter realizado um ajuste mais rápido, mas somos democratas e negociamos cada medida com o Congresso, com enorme dificuldade. Ainda assim, fizemos um ajuste equivalente a 2% do PIB no orçamento. Vamos repetir esse esforço. Será fácil? Claro que não. Mas vamos fazer novamente".

Questionado sobre a reação de Lula às críticas do mercado e do empresariado, Durigan respondeu que o presidente costuma afirmar que não se pode entrar nesse jogo de ressentimento. O ministro ainda disse que não se pode ignorar a força do mercado para desvalorizar a moeda e os ativos brasileiros, como os títulos do Tesouro e as ações de empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Vale.